Compartilhar, , Google Plus, Pinterest,

Posted in:

Tom Holland em Uncharted: Sony pode fazer o primeiro grande filme de videogames

Um furo do site Deadline pegou a todos de surpresa hoje: Tom Holland – a jovem estrela mais conhecida por ser o atual Homem-Aranha – está escalado para fazer Nathan Drake na adaptação aos cinemas do jogo Uncharted. A decisão também marca uma mudança no planejamento do filme, que será um filme de “origem”, mostrando um jovem Nathan Drake aprendendo as habilidades que o transformariam num grande caçador de tesouros.

E, por incrível que pareça, essa pode ser a melhor decisão que a Sony poderia tomar.

Desde o começo, era fácil de adivinhar que a adaptação de Uncharted seria tratado com extremo cuidado e carinho pela Sony. Afinal, não é apenas mais uma adaptação de videogame para o cinema, mas uma adaptação de uma das principais franquias de jogos do console dela. O tipo de jogo que tem uma enorme legião e fãs e que vende videogames.

Para quem não é não é muito ligado ao mundo dos videogames, Uncharted é uma série de jogos de aventura exclusiva para consoles da Sony – ou seja, os jogos da saga só são lançadas para videogames Playstation. A série
possui 4 títulos lançados (jogos principais, fora os spin offs), todos contando a história do protagonista Nathan
Drake, um “caçador de tesouros” com jeitão de vigarista e inteligência elevada, que precisa enfrentar exércitos e grupos mercenários que querem usar para fins maléficos suas descobertas arqueológicas. Basicamente, Uncharted é um Indiana Jones clássico, com todos aqueles elementos que fazem de Os Caçadores da Arca Perdida um dos melhores filmes de todos os tempos. Mas, ao contrário do que poderíamos esperar, o filme não deverá mostrar um Drake maduro derrotando exércitos sozinho e descobrindo cidades perdidas, mas sim um jovem Drake, ainda estudando e aprendendo as habilidades que o tornarão o maior caçador de tesouros do mundo – algo que, segundo a própria produtora, será inspirado em um dos capítulos de Uncharted 3: Drake’s Deception.

Falando assim, parece que o filme irá ignorar tudo aquilo que faz o jogo bom. Mas essa decisão pode ser justamente o que fará o filme dar certo. 

Quando falamos de adaptação de jogos de videogame para os cinemas, uma opinião é unânime: não existe nenhuma grande adaptação do gênero para o cinema. Desde Super Mario Bros, já são quase 15 anos de tentativas frustradas de se fazer um bom filme baseado em videogames.

E todas essas tentativas parecem esbarrar no problema: o de como fazer essa adaptação dar certo. Até o momento, dois estilos de pensar o filme foram utilizados: pegar elementos presentes no jogo e transformar num filme que nada tem a ver com ele (normalmente utilizado em “grandes produções” como Super Mario Bros, Street Fighter, Príncipe da Persia, Resident Evil, Assassin’s Creed, entre outros). A vantagem desse tipo de abordagem é tornar o filme palatável para o público que não conhece o jogo, já que não exige que o espectador conheça personagens, cenários e enredos para entender o filme, enquanto os fãs dos jogos conseguem facilmente reconhecer naquele filme elementos do jogo que ama. O grande problema desse tipo de filme é justamente ignorar os jogos que os inspiraram, muitas vezes deixando de lado personagens importantes e ignorando elementos canônicos da história. Esse tipo de abordagem pode até dar certo (o filme Resident Evil, por exemplo, que se tornou uma franquia de ação de sucesso) mas com o ônus de afastar os fãs da saga (o sucesso de Resident Evil é muito maior entre pessoas que não gostam/conhecem o jogo do que entre os fãs) e, caso o sucesso com o grande público não ocorra, você também afasta o público nicho que poderia consumí-lo, muitas vezes matando as chances de uma continuação no processo; a outra abordagem utilizada é fazer filmes que sejam focados totalmente nos fãs do jogo, contando histórias que são prequelas/sequências dos enredos do jogo e que utilizam todos os personagens, cenários e enredos de sucesso do jogo (como em Kingsglaive, Halo Nightfall, Dragon Age Dawn of the Seeker, entre outros). Enquanto esses filmes costumam ser garantia de sucesso com os fãs dos jogos, a desvantagem deles é que afastam totalmente o público mais geral, que não joga/conhece a fundo esses jogos. E essa é a grande dúvida dos cineastas ao tentar fazer uma adaptação de videogame para o cinema: agradar os fãs e se perder do grande público, ou tentar agradar o grande público e correr o risco de perder os fãs. E pode ser que a Sony tenha achado a solução para esse problema.

Ao escalar Tom Holland e focar o projeto do filme em um Nathan Drake adolescente, a Sony pode matar dois coelhos numa só cajadada: fazer um filme de origem que apresente personagens, cenário e o universo como um todo para cativar aqueles que não são fãs dos jogos e, ao mesmo tempo, seja uma história canônica, que está diretamente ligada aos jogos, para satisfazer os fãs. Pois, ao mesmo tempo que é possível montar um filme que seja aceito pelo público que não conhece nada do jogo, não será preciso fazer isso ignorando aquilo que os jogos já trouxeram, pois a adolescência de Nathan e o que ele passou para se tornar um caçador de tesouros, apesar de citado, não é explicado em nenhum dos jogos da franquia.

Com essa decisão que, num primeiro momento, pode ser absurda, a Sony pode ter não somente o início de um bom filme inspirado em videogames, mas talvez ter em suas O filme, aquele que finalmente pode quebrar a maldição das adaptações meia-bocas e mostrar que, sim, os videogames podem ser inspirações para grandes filmes de alta qualidade.

Por enquanto, são tudo deduções. Vamos aguardar para ver o que realmente sairá dessa decisão.

Mas, por enquanto, o futuro é promissor. Muito promissor.

Compartilhar, , Google Plus, Pinterest,

Escrito por Rafa Noia

Rafa Noia

Estudante de jornalismo da Unesp Bauru. Como cresceu sendo um gordinho nerd que sofre bullying, é viciado em qualquer coisa que possua dragões, naves ou super-heróis, e não tenta nem um pouco fugir do clichê do gordo nerd. Passa muito tempo jogando joguinhos e mais ainda assistindo séries, apesar do desejo oculto de querer usar todo esse tempo para dormir.

311 posts