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The Walking Dead S06E08 – Start to finish

Cachorro-do-meme-teria-morrido-atropelado-diz-boatoGente, qual a necessidade disso? Por que fazer isso com os fãs até fevereiro? Como eu vou ser capaz de aproveitar as festas de fim de ano sem saber o que aconteceu depois que o Sam ficou ‘mãe? mãe? mãe? mãe?’ no meio dos zumbis? Aliás, socorro, Jessie. Ainda não sei qual dos seus dois filhos é o mais problemático. Esse episódio foi um daqueles com tanta coisa difícil de digerir acontecendo ao mesmo tempo que eu nem sei por onde começar a escrever. Glenn e Enid? Morgan e Carol? Rick e a galera fazendo cosplay de morto? Deanna chapada e loucona antes de morrer? A famigerada cena pós créditos? Sério, eu tenho dúvidas reais se esse episódio teve duração normal ou se durou umas cinco horas, porque teve muita coisa rolando, muita coisa pra processar.

Vamos começar por Rick, Michonne, Deanna mordida e tudo que aconteceu na casa mais vigiada de Alexandria neste episódio.

Ok, a torre caiu e levou junto um bom pedaço do muro de Alexandria, permitindo que aquele monte de zumbis que estavam do lado de fora entrassem na nossa querida comunidade. Na confusão, os alexandrianos que estavam do lado de dentro tomaram rumos diferentes. Na casa de Jessie, se refugiaram Rick, Michonne, Deanna, Carl, Ron e o padre – além de Jessie, seu filho Sam e Judith, que já estavam lá.

(Créditos: Gene Page/AMC)
(Créditos: Gene Page/AMC)

Enquanto cuidava dos ferimentos de Deanna, a galera percebeu que ela tinha sido mordida por um zumbi lá fora e ficou aquele clima pesado. O silêncio foi quebrado pela própria Deanna, com o ‘Well… shit’ mais pertinente que eu me recordo em uma série nos últimos tempos. Aliás, é impressão minha ou ser mordida e estar à beira da morte deixou Deanna engraçada? Só eu ria das piadas que ela fazia sobre a própria situação dela? E ela dava umas viajadas bem loucas. Deanna “chapada de zumbi” foi um momento muito precioso, especialmente quando ela está no berço de Judith e quase é atingida por Rick. Que momentos, minha gente.

É claro que em meio às gracinhas que ela fazia, tinha muita coisa inteligente sendo dita. A última lição que ela dá a Rick sobre proteger as pessoas, a mensagem de esperança que ela deixa com Michonne – que quando conhecemos tinha uma visão totalmente pessimista sobre a realidade – podem ser muito úteis aos sobreviventes. Que mulher memorável, a Deanna. Meio estranha, é inegável, mas deixa um legado interessantíssimo para a série.

(Créditos: Gene Page/AMC)
(Créditos: Gene Page/AMC)

Michonne, aliás, vem sendo deixada em segundo plano desde que o grupo chegou a Alexandria. Ainda assim, podemos perceber que a sensação de segurança foi devolvendo a ela a humanidade que o mundo tirou. Lembram da Michonne que andava com dois zumbis acorrentados e não tinha perspectiva alguma pra vida? Ela já havia melhorado muito se juntando e conhecendo o grupo de Rick, e se tornou uma pessoa completamente diferente em Alexandria. E o mais importante: sem perder a habilidade de sobrevivência que garantiu que ela chegasse até aqui. Michonne é, cada vez mais, uma personagem com imenso potencial de crescimento na série.

(Créditos: Gene Page/AMC)
(Créditos: Gene Page/AMC)

Agora, precisamos falar sobre os filhos da Jessie, Ron e Sam, e como os dois juntos conseguiram complicar ainda mais uma situação que por si só já era bastante chata. Primeiro, Ron no seu momento psicótico tentando matar Carl, quebrando a janela e atraindo muitos zumbis pra casa que, até aquele momento, parecia um bom lugar pra se esconder. Depois, Sam, no meio dos zumbis, colocando o plano todo em risco – e ainda não sabemos o que aconteceu depois disso. Uma competição muito acirrada para ver qual filho de Jessie é o mais inútil.

Ao mesmo tempo, não podemos dizer que estamos surpresos, não é? Que Ron e Sam e seus problemas psicológicos – talvez desenvolvidos por terem crescido em uma família problemática (vale lembrar que o pai abusava física e verbalmente da mãe) – teriam consequências grandes. Ron, mimado e rebelde, e Sam, mimado e vivendo na sua bolha, fatalmente colocariam pessoas em risco. Nós imaginávamos isso desde o princípio. E, brincadeiras à parte, não podemos culpá-los tanto. Primeiro, são crianças em um apocalipse zumbi. Segundo, foram criados por um pai abusivo, que foi assassinado por um xerife estranho e que agora está meio que ficando com a mãe deles. É complicado, né?

Nós vimos as consequências do surto de Ron: o chilique dele com Carl comprometeu uma casa na medida do possível segura e forçou um plano de evacuação extremamente arriscado. Primeiro, as chances da bebê Judith começar a chorar e chamar a atenção dos zumbis eram bem grandes? Será que Rick não pensou nisso? E, mesmo com um bebê no rolê, quem deve complicar as coisas é Sam, que não entendeu como funcionava a imitação de zumbi e colocou tudo em risco. Nós ainda não sabemos o que aconteceu a seguir, mas não seria exagero pensar que a situação ficou bem complicada.

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(Créditos: Gene Page/AMC)

Outra coisa que nós sabíamos que ia acontecer cedo ou tarde: o conflito mais direto entre Morgan e o restante do grupo. O restante, nesse episódio, foi Carol. Aliás, qualquer outra pessoa poderia reagir um pouco mais calmamente ao Wolve encarcerado, mas foi justamente a mais violenta, ao lado de Rick, de todos os integrantes do grupo.

E, claro, a série deve se posicionar no lado de Rick e Carol. Por mais que os produtores tenham trazido esse debate à tona mais intensamente nessa temporada, defender a filosofia de ‘não matar’ de Morgan seria deslegitimizar tudo que The Walking Dead construiu até aqui. Não estou criticando nem defendendo, na verdade é uma questão de coerência mesmo. Por isso, é natural que o Wolve em questão escape e cause algum estrago, pra que no fim das contas todos nós pensemos ‘poxa vida, Morgan estava errado, deveria ter matado esse rapaz’.

Aliás, nesse meio de temporada, ainda estou me encontrando nesse debate matar ou não matar. Uma resolução absolutamente radical como a de Morgan pode, nas circunstâncias da realidade da série, custar a sua sobrevivência e de seu grupo. Entretanto, é inegável que Rick e Carol exageram um pouco, às vezes. Talvez a resposta certa, se é que existe uma, seja um meio-termo entre as duas posições, e por isso Morgan se torna importante: ele traz mais equilíbrio ao grupo.

(Créditos: Gene Page/AMC)
(Créditos: Gene Page/AMC)

 Pausa na temporada: hora de fazer um balanço

A sexta temporada de The Walking Dead está bastante intensa. Sim, tivemos episódios mais mornos e mais fracos, mas todas as temporadas de todas as séries têm isso. E, se compararmos com as outras temporadas da própria The Walking Dead, pelo menos nessa primeira metade, o número de episódios mais “chatos” é bem menor.

É notável que essa primeira parte da temporada nos introduziu a uma série de questões e argumentou para diversos lados. Logo no primeiro capítulo, tínhamos aquela alternância entre cenas em preto e branco (que eram flashbacks do passado) e cenas coloridas (que eram o “presente” da série”). Esse episódio deixa bem claro a relação de causa e consequência de tudo que acontece em The Walking Dead. Serve como uma preparação para o que estava por vir.

Dali pra frente, todos os grandes acontecimentos em Alexandria tiveram suas origens muito claramente demarcadas. A invasão dos Wolves acontece depois que Daryl e Aaron deixam a mochila com fotos na floresta. E isso só acontece porque Morgan os salva, o que, por sua vez, só acontece porque Morgan mudou sua concepção sobre o mundo e decidiu ajudar as pessoas.

Se a invasão não acontecesse, a buzina do caminhão nunca teria dissipado a horda de zumbis que Rick estava tentando remover dali e os portões de Alexandria não ficariam cercados por mortos. Se Glenn e Michonne tivessem seguido o conselho de Rick e deixado os fracos alexandrianos para trás, não teriam quase morrido e Glenn estaria, provavelmente, com o grupo. Se Rick e Carl não tivessem, respectivamente, matado o pai de Ron e se envolvido com Enid, ele provavelmente não teria o surto que teve no porão e não forçaria todos a saírem da casa com entranhas de zumbis cobrindo seus corpos. As consequências desse plano, por sua vez, nós ainda não conhecemos.

Qual o ponto disso tudo? Agora que está mais claro do que nunca como cada ação influencia diretamente no que vai acontecer, todos ficam mais cautelosos em relação a como proceder. Surgem, então, discussões na série. O primeiro debate é o matar ou não matar de Rick e Morgan. Outro debate é se vale a pena se arriscar por pessoas mais fracas, como fizeram nessa temporada Tara, Michonne e Glenn. Uma outra discussão ainda é se vale a pena se juntar a desconhecidos. Daryl perdeu a moto por sentir compaixão, mas vale lembrar que nosso grupo era extremamente hostil quando chegou a Alexandria e foram aceitos com muito custo pela população local. Aceitar ou não pessoas estranhas é sempre um risco de 50% de chances de tudo dar errado, independente de qual seja sua escolha.

Isso, a série fez muito bem. Nós chegamos no meio de temporada com todas essas consequências e essas discussões em aberto. O desfecho, só teremos em fevereiro, e as conclusões a que chegarmos lá com certeza serão decisivas no próximo grande desafio do grupo, que é ter que lidar com Negan, um dos vilões mais importantes dos quadrinhos. Aliás, essa introdução a Negan após o final do episódio, com Abraham, Sasha e Daryl foi sensacional.

Contudo, como fez em outras temporadas, The Walking Dead ainda erra bastante, e errou muito na indefinição sobre o que tinha acontecido com Glenn. No fim das contas, todos já sabíamos, no fundo, que ele tinha sobrevivido, e ficar arrastando isso só pra tentar criar uma tensão foi um tiro pela culatra. Quiseram colocar Glenn numa situação tão difícil de escapar para que nós ficássemos numa dúvida real se ele tinha ou não sobrevivido. Então, criaram uma situação tão difícil de escapar que até agora não engoli bem o jeito com que Glenn se safou.

De qualquer forma, entre acertos e erros, The Walking Dead segue como uma série ao menos emocionante e vem evoluindo. Por mais que cometa alguns deslizes, ainda é um prazer muito grande esperar as noites de domingo para saber o que acontecerá em seguida com Rick e seu grupo. Apesar de forçar a barra algumas vezes, a série, de maneira geral, sabe como prender a atenção do público e valorizar seu enredo. E agora é dar uma descansada, ficar pensando no que pode ter acontecido, e descobrir a verdade só em fevereiro. Como lidar?

@felipealtarugio

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Escrito por Felipe Altarugio

Felipe Altarugio

Jornalista viciado em TV, games e lhamas, que em vez de sair no fim de semana fica em casa fazendo maratona de séries, o que provavelmente explica muita coisa em sua vida.

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