Compartilhar, , Google Plus, Pinterest,

Posted in:

The Walking Dead S06E07 – Heads Up

[PODE CONTER SPOILERS]

Glenn está vivo mesmo. Logo após o fim do terceiro episódio, Thank You, estávamos todos abalados com a cena. Eu cheguei a acreditar realmente na morte dele e inclusive surtar no Twitter. Depois, com mais calma, analisando tudo mais friamente, foi ficando mais e mais óbvio que ele não tinha morrido, e a série realmente deu uma forçada de barra grande com os fãs enrolando tanto pra definir algo que no fundo todos já imaginávamos.

Na verdade, não sei nem o que sentir ainda. Glenn é e sempre foi um dos meus personagens favoritos de toda a série, e o fato de ele estar vivo e continuar aparecendo é magnífico. Mesmo assim, Glenn ter sobrevivido é um duro golpe na credibilidade de The Walking Dead.

the-walking-dead-episode-607-walkers-935
(Créditos: Gene Page/AMC)

Eu realmente achei que ele tivesse morrido quando vi o episódio pela primeira vez. O choque, a surpresa, a emoção – todos esses fatores fazem com que você não faça uma análise racional dos fatos. Na primeira vez em que li as teorias da sobrevivência dele, não acreditei. Era uma situação impossível de se escapar. Depois, revi a cena, e os argumentos sobre ele ter sobrevivido pareciam realmente fazer algum sentido. E quando os episódios seguintes sequer mencionaram o acontecido, aí deu pra ter certeza que Glenn estava vivo.

Apesar de amar Glenn, não dá pra negar que os roteiristas criaram um problema ao fingir a morte de um dos seus personagens principais e depois não matá-lo. A ideia era realmente tentar enganar a todos nós e criar toda uma expectativa sobre se Glenn havia ou não morrido. Isso deu certo, mas com um preço: para criar uma dúvida tão grande na cabeça do público, era necessário que Glenn estivesse em uma situação inescapável. E isso se torna um problema. Porque o fato de ele ter sobrevivido àquele caos abala profundamente a credibilidade do seriado.

Tudo o que nós sabíamos e aprendemos sobre The Walking Dead, os zumbis e a realidade da série, podemos jogar fora. Bacana, o corpo de Nicholas ficou em cima. Mas e as pernas, que estavam livre, leves e soltas para serem comidas? A cabeça? Por que diabos os zumbis, que estavam em um número tão grande, não se aglomeraram em cima do Glenn como já fizeram em tantas oportunidades? Por que deixaram um espaço tão grande? Por que não insistiram em tentar alcançá-lo embaixo da lixeira?

Sim, The Walking Dead ainda é uma série incrível e sim, estou contente que Glenn não tenha morrido. Muito. Mas poderíamos ter passado melhor sem esse rolê todo, não? Já foi desnecessário, e ainda foi uma forçada de barra muito grande enrolar quatro episódios pra mostrar que todo esse estardalhaço não foi nada e algum tempo depois Glenn já estava alegrinho correndo por aí com a Enid. Mas tudo bem, a relação com TWD é firme e não é isso que vai abalar meu relacionamento estável com a série – um dos poucos relacionamentos estáveis que sou capaz de manter atualmente, inclusive. Não, eu não vou abandonar TWD.

(Créditos: Gene Page/AMC)
(Créditos: Gene Page/AMC)

Galera, o debate “matar ou não matar” está ficando cada vez mais intenso. Até aqui, um episódio mostrava um lado da discussão, e o episódio seguinte apresentava contra-argumentos. Em Heads Up, há um confronto mais direto entre os personagens mais sanguinários do grupo de Rick e Morgan. Podem ficar tranquilos que isso vai se desenvolver e as diferenças nas doutrinas vão se tornar muito mais gritantes e com consequências importantes.

Aliás, falando em consequência, a conversa de Morgan com Michonne, Carol e Rick é interessante para entendermos algo que na maioria das vezes fica um pouco oculto em The Walking Dead: todas as suas ações têm consequências. Rick não matar Morgan resultou em Morgan se juntando ao grupo e salvando Aaron e Daryl de uma morte certa. Mas a sobrevivência de Aaron e Daryl levou os Wolves até Alexandria e causou um número ainda maior de mortes. No fim das contas, valeu a pena?

Nâo sabemos. A mensagem passada aqui é que tudo que se faz na série tem consequências drásticas, mas essas consequências também desencadeiam outros fatos. Nisso, The Walking Dead é excepcional. As coisas vão se encaixando umas nas outras, vão acontecendo em sequência tão linearmente que no fim acabamos esquecendo a origem de boa parte dos problemas.

Sendo assim, o que fica é: não adianta ficarmos pensando nos ‘e se’ da série. E se Morgan tivesse morrido? E se os Wolves não aparecessem? E se Glenn estivesse morto? As coisas simplesmente são como são e, no fim das contas, não vale a pena ficar remoendo o que aconteceu e tentando culpar a si mesmo ou a outras pessoas.

(Créditos: Gene Page/AMC)
(Créditos: Gene Page/AMC)

Ah, claro. O episódio não poderia acabar sem o momento “Trapalhadas de Alexandria” da noite. Os patéticos moradores do refúgio não cansam de ser otários. É incrível a capacidade de superar os erros que eles cometem a cada episódio, e não acho que ninguém em sã consciência tenha apego a qualquer um desses personagens.

Na verdade, essa é a ideia. Paralela ao debate “matar ou não matar”, temos uma discussão menor acontecendo no grupo de Rick: “proteger os alexandrianos a qualquer custo” ou “sobrevivermos nós e o que sobrar deles é lucro”? Rick já deixou claro mais de uma vez que não se importa muito com o bando de idiotas que vive em Alexandria, porque sabe que eles são tão fracos que dificilmente causarão alguma coisa além de problemas. Rick, aliás, volta a insinuar que não confia muito nessa gente quando começa a traçar o plano sem a ajuda deles. Michonne parece mais inclinada a dar uma chance aos colegas.

E nós ficamos nesse “talvez Rick esteja certo”, mas aí aparece o rapazinho da construção dizendo “Rick, você estava certo, não desista de nós, blablablá”, e a gente começa a pensar que talvez eles tenham salvação e valham um esforço. Então, aparece o SUPER SPENCER (uhuuuul), com uma das ideias mais imbecis desde que o seriado começou.

O que se passa na cabeça de um ser humano em querer atravessar uma vala cheia de zumbis com um item do cinto de utilidades do Batman? Amigo, você não é o Glenn. Você vai morrer em breve se continuar agindo dessa maneira. E, convenhamos, fica difícil defender os alexandrianos. Cada vez mais difícil torcer por eles, até porque de incompetente já temos o nosso Eugene, mas pelo menos ele é engraçado. Gente, que pessoa peculiar.

(Créditos: Gene Page/AMC)
(Créditos: Gene Page/AMC)

Ron e Carl. Eu disse no review do episódio cinco desta temporada que não me sentia nada confortável com alguém dando uma arma a um menino claramente desequilibrado, mimado e sem noção alguma de que existem prioridades maiores que se incomodar com seu romance adolescente com uma menina estranha e com traços leves de psicopata. Tipo o apocalipse zumbi, uma gangue de pessoas assassinas invadindo sua comunidade e outras coisinhas do tipo.

Provavelmente, agora nada vai acontecer. O episódio (a insistência de Ron em conseguir balas, e a doentia perseguição silenciosa a Carl com uma arma carregada no bolso) foi só pra deixar bem claro que o menino é zuado. Bem zuado. Provavelmente, esse conflito de novelinha mexicana vai ser interrompido por algo um pouco mais relevante, que é a queda do muro.

SÉRIO, TÁ FICANDO CHATO VOCÊS ACABAREM TODO EPISÓDIO ASSIM. Mas é compreensível porque as séries da televisão, diferentemente das série que têm a temporada inteira liberada no Netflix de uma vez, precisam prender a atenção das pessoas e criar um suspense pro próximo episódio, precisam manter as pessoas interessadas e ansiosas por continuar vendo a série. Mas poxa, a torre cair assim também é sacanagem.

No geral, o episódio foi meio fraco. Várias coisas acontecem, poucas de fato relevantes, ainda mais se considerarmos que o joguinho dos roteiristas para criar uma grande surpresa com a sobrevivência do Glenn foi por terra, já que no fim todos já esperávamos por isso. E, na real, enrolar quatro episódios pra mostrar isso deixou até cansativo. Mas ok. Pelo menos, temos um gancho muito promissor para a semana que vem, quando vai ao ar o último episódio antes da pausa de meia temporada. Aliás, no meu último texto, eu disse que seria essa semana o último, mas isso foi um erro de cáculo. Gente, sou de humanas. Peguem leve comigo. Acontece.

Agora sim, no próximo domingo teremos o último capítulo antes da parada. Vamos ver o que acontece e torcer pra que eles não deixem uma expectativa tão grande assim a troco de nada mais uma vez. No geral, acompanhar The Walking Dead continua no mínimo muito divertido e fácil. Mesmo provocando a gente e, às vezes, dando umas mancadas, a série continua bem envolvente e, como já disse, precisa mais pra abalar essa relação de amor forte que tenho com esse seriado.

Momentos:

(Créditos: Gene Page/AMC)
(Créditos: Gene Page/AMC)

Alguém mais pensou “putz, que merda, hem” quando a Maggie disse pro Rick que a nenê Judith estava ficando parecida com a Lori? PELO AMOR DE DEUS, LORI NÃO! LORI NÃÃÃÃÃÃÃOOOO! Não joguem praga no bebê. Em pleno apocalipse zumbi, a última notícia que alguém precisa é que temos uma pequena Lori surgindo. Fica difícil ter esperanças de um mundo melhor desse jeito.

Ah, e alguém mais já percebeu que ninguém nunca vê a Deanna se aproximando? Ela simplesmente se materializa no lugar no meio das conversas. Meio perturbador.

Enfim, até semana que vem.

@felipealtarugio

Compartilhar, , Google Plus, Pinterest,

Escrito por Felipe Altarugio

Felipe Altarugio

Jornalista viciado em TV, games e lhamas, que em vez de sair no fim de semana fica em casa fazendo maratona de séries, o que provavelmente explica muita coisa em sua vida.

36 posts