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Por que Demolidor é a melhor série de super-heróis do momento?

Fãs de quadrinhos já não tem mais do que reclamar (ainda mais os fãs do Diabo de Hell’s Kitchen). Após anos e anos amargando adaptações pouco fiéis (e também pouco respeitosas em relação ao material original) estúdios, roteiristas (e até mesmo produtores) parecem estar acertando a mão no que se trata de adaptações histórias de super-heróis. Provas disso não faltam. Temos por exemplo a trilogia The Dark Knight do Cristhopher Nolan, que deu um novo ânimo aos filmes do gênero, os esforços da Disney para a construção de um universo cinematográfico da Marvel (que, apesar de não ser lá o meu tipo favorito de filme, talvez pela insistência em manter uma censura baixa, tem conseguido manter um universo integrado e coeso), até a nova franquia dos X-Men, Deadpool, e os primeiros passos da DC Comics na construção de seu próprio universo cinematográfico.

Mas os orçamentos astronômicos e a pressão de estúdios e produtores continua sendo um desafio para os filmes de super-herói que encontram no formato de tele-séries um terreno muito mais propício ao desenvolvimento de suas histórias, especialmente agora, com a parceria Marvel-Netflix. É justamente esse o caso de Demolidor que recebeu sua segunda temporada pelo canal de streaming nesse ano. Depois de amargar uma fraca encarnação pela Sony no início dos anos 2000, o herói teve a chance de renascer pelas mãos de Drew Goddard e Kati Johnston, além de um time de produtores executivos com grandes nomes dos quadrinhos como Jeph Loeb e Stan Lee. 

O renascimento foi equivalente ao ocorrido no início dos anos 80 quando Frank Miller assumiu o título da revista. Por ser visto como personagem secundária pela Casa das Idéias, o escritor teve quase que total liberdade para recriar o Diabo Vermelho, sendo responsável por muitos dos aspectos mais famosos do herói cego. Bem, se o primeiro ano da série tratou de dar nova vida ao Demônio de Hell’s Kitchen, agora foi a vez de dois novos personagens verem a luz do dia (ou melhor, a escuridão da noite). São eles o Justiceiro e a assassina Elektra Natchos.
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Criado na década de 70, inicialmente o Justiceiro seria apenas um vilão recorrente das histórias do Homem-Aranha, mas, devido ao seu sucesso junto a crítica, acabou transformando-se num personagem independente, um dos primeiros anti-heróis do universo Marvel. Depois de amargar três versões medianas no cinema (em 89, 2003 e 2008), agora ele retorna completamente fiel a sua versão nos quadrinhos, magistralmente interpretado pelo ator Jon Bernthal, com sua performance cheia de trejeitos e nuances.

A nova temporada começa quando alguém decide eliminar, uma a uma, as principais gangues de Nova York. A violência e o sadismo empregados nos ataques chamam a atenção da policia e claro, do Demolidor, colocando o vigilante mascarado no rastro do assassino. Apesar de ambos os vigilantes estarem, teoricamente, do mesmo lado, os métodos pouco ortodoxos de Frank Castle, um ex-militar perturbado pela morte de sua família, e, prontamente apelidado pelos jornais como o Justiceiro, coloca os dois em conflito. Começa então um embate ideológico com diálogos dignos das mais clássicas graphic novels (E claro, muita pancadaria).

Paralelamente, o escritório Nelson e Murdoch continua enfrentando problemas financeiros que podem resultar, no curto prazo, ao fechamento do negócio. Apesar disso a relação entre Foggy, Karen e Matt segue fortalecida, desde que o trio conseguiu desmascarar as reais intenções de Wilson Fisk, o Rei do Crime, que agora amarga um período na encarcerado. Karen e Matt, particularmente, dão início a um esperado relacionamento romântico, conduzido com sutileza e maestria pela equipe de roteiristas. A relação dos dois surge e evoluí de maneira completamente natural, e garante algumas deliciosas cenas de romance (que acabam por contrastar com o cenário de violência trazida pelo Justiceiro).

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Matt (Charlie Cox) e Karen (Deborah Ann Woll) vivem um mais que aguardado romance.

A solução financeira para a Nelson e Murdoch aparece apenas no quarto episódio da trama, na figura da herdeira de um império milionário e antiga namorada de Matt, Elektra Natchos. Mas o surgimento da grega traz uma nova avalanche de problemas. Treinada nas artes marciais, pelas mãos do mesmo mestre de Murdoch, Elektra quer a ajuda do Demolidor para ir atrás de uma organização criminosa milenar que fincou suas garras em Nova York, uma ameaça de proporsões jamais vistas até então; o Tentáculo. As recorrentes caçadas noturnas acabam por colocar em conflito a relação de Foggy e Matt, que, sem tempo para assuntos jurídicos, abandona o amigo em alguns dos momentos mais importantes da firma. Ao mesmo tempo, a chegada de Elektra pode significar uma pá de areia sobre o recém estabelecido romance de Matt e Karen.

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Élodie Young como a assassina Elektra.

Elektra surge inicialmente de forma tímida, e muito diferente da versão criada por Frank Miller na década de 80. Mas ao longo da trama vemos uma evolução gradual da personagem, ficando cada vez mais próxima da ninja assassina dos quadrinhos. A mudança é muito bem simbolizada pela aquisição dos famosos sais, depois da primeira metade da temporada. Apesar do carinho que Matt sente por Karen, é ao lado de Elektra que ele se sente livre para ser quem ele é; um vigilante em busca de redenção. Mas o gosto de Elektra por sangue acaba colocando os dois novamente em conflito.

A personagem apresentada pela Netflix consegue atingir um grau de profundidade muito maior do que a daquela criada por Frank Miller, geralmente monossilábica e com visual altamente sexualizado. Muito pelo contrário, aqui Elektra estabele diálogos tão ou mais afiados que as lâminas que usa, monstrando, apesar de tudo, que também é uma figura insegura e cheia de conflitos internos, assim como o próprio Matt.

Aliás, esse é um dos pontos fortes da nova temporada de Demolidor. Todas as personagens centrais estão passando por algum tipo de processo, trilhando cada uma a sua própria “jornada do herói”. Enquanto Demolidor busca encontrar o equilibrio entre sua vida noturna e sua atuação como advogado, além de buscar entender os limites entre o que é certo e o que errado, Karen passa por seu próprio conflito interno, sem saber ao certo se apoia ou não as ações do Justiceiro mas em uma busca incessante pela verdade, que a leva, além de arriscar a sua própria vida, a ocupar o lugar do jornalista Ben Urich, assassinado pelas mãos do Rei do Crime. A atriz Deborah Ann Woll consegue equilibrar muito bem a doçura de Karen com a sua determinação, que a leva, em dados momentos, a compartilhar de pensamentos um tanto quanto controversos. Sem dúvida uma das melhores personagens da série.

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Karen entrevista Frank Castle na cadei

Nelson também vê-se obrigado a abandonar suas inseguranças e fazer algumas escolhas por si só, principalmente após o aparente abandono de seu melhor amigo. O personagem, brilhantemente interpretado pelo ator Elden Helsen consegue ir além do alívio-cômico e torna-se, ao lado da enfermeira Claire (Rosario Dawson), serve como importante elo com outra série da Netflix; Jéssica Jones.

Outro ponto forte da nova temporada foi a descentralização da ameaça. Enquanto no primeiro ano e em Jéssica Jones a trama gira em torno de uma única ameaça, o que leva a um esgotamento do roteiro em alguns momentos, nessa nova temporada temos um perfeito equilíbrio entre a ameaça representada pelo Justiceiro com o surgimento do Tentáculo. Esse segundo consegue introduzir mais um elemento novo á série, o sobrenatural, no entanto, sem necessariamente destoar do restante. O próprio Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) retorna, sendo retratada sua própria jornada para tornar-se o comandante do presídio e planejando a sua volta ao mundo exterior.

O último capítulo da série deixa ainda um gostinho do que pode estar por vir, tudo indicando para uma possível adaptação da série “A Queda de Murdoch”, uma das histórias mais famosas do heróis nos quadrinhos.

É claro que existem alguns pontos fracos, mas que, em suma, não comprometem em nada a qualidade da série. Demolidor conseguiu mostrar que é possível sim fazer um produto de qualidade que seja fiel ao que foi estabelecido nos quadrinhos, mas, mais que isso, a série consegue ainda ir além. E é por isso que Demolidor consegue sim ser a melhor série de super-herói do momento.

Assista aos trailers da nova temporada;

 

 

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Escrito por Vitor Moura

Vitor Moura

Geek, Gaymer, fanático por cinema e literatura. Recentemente mergulhou de cabeça no mundo das séries e não voltou mais. Não raro o verá trocando uma noite de balada por uma maratona de Netflix.

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