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Os 5 estágios do luto de George Lucas e Star Wars

*Texto inspirado por “George Lucas 5 stages of grief” de Caroline Framke para a Vox

A separação é um momento delicado da vida de qualquer casal. Afinal, muitas vezes são anos dividindo esperanças e sonhos, construindo um futuro juntos, tornando um ao outro parte integrante da vida e do sucesso de ambos. E, de repente, é o fim. Tudo acaba. Não tem mais volta. E, a partir daquele momento, cada um deve seguir para um lado, deixando todos aqueles antigos sonhos e esperanças para trás, prontos para construírem uma nova história – uma história sem a presença do outro. E tudo o que fica é aquele turbilhão de sentimentos, onde é preciso lidar com o fato de que a pessoa que sempre foi a pedra fundamental de sua vida, de repente, não estará mais lá e você terá que aprender a viver com isso e com o misto de sentimentos ambíguos, como o medo, o alívio, a dúvida e a sensação de liberdade, que isso provoca.

Assim foi a separação de George Lucas com a saga Star Wars.

Como bem sabemos, desde que a Disney a LucasArts por U$4 bilhões em 2012, Lucas não tem mais nada a ver com qualquer coisa que saia sobre Star Wars, sejam filmes, jogos, quadrinhos, livros ou qualquer tipo de merchandising. E George Lucas está em enorme conflito pelo fato da série ter continuado sem ele. Claro, ele ganhou o cargo de “consultor criativo” em O Despertar da Força, mas todos – até mesmo ele – sabe muito bem que isso é apenas um cargo decorativo, e quem tem mesmo a palavra final em todas as decisões é J.J. Abrams. O sentimento geral dos executivos da Disney é de que Lucas teve sua chance de fazer mais filmes da saga e falhou, entregando aquilo que conhecemos como a “trilogia prequel” e que não tem um mínimo da qualidade dos três filmes originais. Então, enquanto o mundo presencia uma onda de ansiedade por conta da estreia de O Despertar da Força, Lucas se vê num turbilhão de sentimentos que estão mexendo com sua cabeça, como é possível perceber em suas entrevistas mais recentes. Então, mostrarei aqui os 5 estágios da separação entre Star Wars e George Lucas, pelas palavras do próprio (ex)diretor.

Negação

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Quando tivemos a confirmação de quem um novo filme de Star Wars seria produzido e de que Lucas não estava envolvido, começaram a aparecer algumas teorias de que isso não era de todo estranho porque ele mesmo, o próprio Lucas, já não queria mais ter mais nenhuma ligação com a série. Mas isso caiu por terra quando, em entrevista para a Collider em janeiro desse ano, Lucas confirmou que ele tinha apresentado um roteiro próprio para a sequência da trilogia, mas que foi prontamente descartado pelos produtores da Disney. Para deixar claro que tudo isso já era parte do passado, Lucas disse para o USA Today o seguinte: “É melhor que eu já me afaste no começo de toda essa nova ideia antes de ficar intrinsecamente envolvido. Hoje, ter tempo para mim é mais importante do que o dinheiro.” E talvez ele esteja falando a verdade. Mas, sabendo que Lucas já havia tentado emplacar o roteiro do filme e falhado, esse afastamento parece muito mais uma queda depois de um tapa na cara do que a tentativa de evitar um conflito desnecessário.

Raiva

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Lucas não é um cara que costuma ficar nervoso – ou, pelo menos, depois dos 40 anos lidando com a constante atenção da mídia, não é alguém que deixa isso transparecer. Mas isso não o tem impedido de dar declarações contundentes de que ele não estava nada feliz com os rumos que sua antiga franquia de filmes estava tomando. Por exemplo: Em entrevista para a Page Six em dezembro de 2014, quando perguntado se Lucas estava curioso para ver o que J.J. Abrams estava preparando para o novo filme da franquia, a resposta de Lucas foi um curto e grosso “nem um pouco”. E podemos citar também uma entrevista para a Vanity Fair no mês passado, dizendo que “[Star Wars] é mais do que umas naves espaciais” e torcendo para que “a Força não seja reduzida a algo sem sentido”. Ui!

Negociação

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Ao contrario do que costuma acontecer numa quebra de relacionamento, a fase da negociação surgiu meio cedo para Lucas. Apesar de, em 2008, em uma entrevista para a Total Film, Lucas ter confirmado que a saga Star Wars não teria mais nenhum filme – porque, segundo ele, “A história de Star Wars é a tragédia de Darth Vader” – ele apresentou algumas ideias para a Disney sobre como deveria ser a continuação da franquia nas reuniões feitas durante a venda da LucasArts, com o intuito de manter ainda algum poder de decisão sobre a franquia. Mas, como sabemos, não rolou, e a Disney simplesmente jogou no lixo tudo o que ele sugeriu.

Mas em entrevistas recentes (como a que ele deu para o CinemaBlend no começo do ano), Lucas afirmas que não são suas ideias que eram ruins: o problema é que a Disney tinha sua própria definição do que é Star Wars, que era bem diferente da dele. “Aquilo [as ideias] que eu vendi pra Disney, eles decidiram que não iriam produzi-las, então acabaram criando as próprias.” Se apenas a Disney tivesse gostado das ideias dele. Se eles percebessem que todo o mundo de Star Wars girasse ao redor de Darth Vader. Se, se, se…

Depressão

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Desde que a estreia de O Despertar da Força foi se aproximando, as cutucadas de Lucas foram se transformando em citações melancólicas. Depois de anos se preparando para o momento em que outra pessoa iria tomar conta do mundo que ele criou, esse momento chegou – e isso o está destruindo por dentro. Quando, há cerca de duas semanas, a Vulture ficou sabendo que ele já havia assistido a versão final do filme e perguntou o que ele tinha achado, ele se virou com uma resposta bastante evasiva: “Eu acho que os fãs irão amar o filme. É praticamente tudo aquilo que eles estavam esperando.” Ou seja, aquilo que eles estavam esperando, o que nem de longe, em nenhum tipo de interpretação, quer dizer “o filme é bom”. Tudo bem, deve ser bem estranho ver que uma de suas criações se tornou tão grande que já não pertence mais a você. Porque, por mais que Lucas e Abrams estejam assinando o filme, hoje Star Wars não pertence a nenhum dos dois (e nem à Disney) mas aos fãs. Então, vendo por essa perspectiva, é fácil de entender porque Lucas tem se sentido meio triste nesses tempos.

Aceitação

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Em meio à toda a agitação perante o lançamento do próximo filme da saga, Lucas tem sido um pouco mais verborrágico ao falar sobre a franquia que não mais lhe pertence. Em entrevista para o Washington Post no dia 05 de dezembro, ele utilizou uma metáfora que talvez seja a mais precisa para explicar tudo o que ele está sentindo agora. Segundo ele, ver o novo filme de Star Wars é igual a ser convidado para o casamento de sua ex-esposa: “Eu preciso ir ao casamento. Minha ex estará lá, e minha atual esposa também estará lá, e eu terei que respirar fundo, ser um cara legal, curtir toda a cerimônia e aproveitar o momento, porque eu sei que aquilo que está acontecendo ali é fruto direto de uma decisão que eu tomei.” Afinal, o que mais se pode fazer quando se é o criador de uma franquia extremamente popular e que o deixou com um fortuna estimada de U$5 bilhões? Talvez tudo o que você possa fazer é relaxar, dar de ombros para tudo aquilo, e seguir com sua vida sabendo que vai ter que aceitar qualquer coisa que for lançada com o nome de sua criação. E, no caso de Lucas, é bom ele ficar bem confortável, já que a Disney não pretende abandonar as sequências e spin offs da série tão cedo.

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Escrito por Rafa Noia

Rafa Noia

Estudante de jornalismo da Unesp Bauru. Como cresceu sendo um gordinho nerd que sofre bullying, é viciado em qualquer coisa que possua dragões, naves ou super-heróis, e não tenta nem um pouco fugir do clichê do gordo nerd. Passa muito tempo jogando joguinhos e mais ainda assistindo séries, apesar do desejo oculto de querer usar todo esse tempo para dormir.

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