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Os 15 melhores créditos de abertura da atualidade

*Clique nos nomes das séries mencionada para ver as aberturas no YouTube

Eles costumavam ser uma peça importante do negócio, agora tem gente que nem liga mais pra isso. Não, não estou falando de números da audiência (ei, Netflix!). Claro que vocês sabiam que eu não falava de números de audiência por causa do título, mas não queria perder a piada.

Nos anos 90, as aberturas eram elaboradas e sofisticadas, e muitas resumiam naqueles 90 segundos o quão “cinematográfico” era o estilo da série. De fato, a tevê começou a dar importância para os créditos iniciais por causa do cinema (mais especificamente por causa da bela sequência de Se7en – Os Sete Crimes Capitais), mas logo eles assumiram uma identidade própria, que se consagrou com Os Sopranos, quando a HBO ainda tentava vender seus dramas como uma experiência de cinema que você teria pela tevê.

Depois da virada do século, elas começaram a perder força e espaço para vinhetas mais curtas ou minimalistas. Algumas séries até começaram com aberturas interessantes e nas temporadas seguintes se livraram delas completamente (particularmente sinto saudades em New Girl e Grey’s Anatomy). Mas mesmo nesse mundo sem graça onde a palavra GIRLS escrita de cor diferente a cada episódio pode ser considerado genial, algumas séries ainda se esforçam para ter sequências iniciais que não deixam dúvidas sobre o tipo de trama que estamos prestes a ver, ou que até contam uma história dentro da história. Vamos apreciar os segundos mais renegados da história da televisão (ops, eles perdem pros créditos finais) com uma lista das melhores aberturas de programas que estão no ar atualmente.

E um aviso: tem muitas séries da Netflix aqui, porque eles têm um carinho especial por seus créditos, mesmo que depois de uma maratona de 10 episódios eles fiquem meio irritantes.

15. Rectify (2013-)

O drama da SundanceTV sobre um homem que sai da prisão após 18 anos por causa de novas evidências de DNA pode soar conhecido: enquanto Rectify provavelmente teve alguma inspiração na história de Steven Avery, a abertura de Making a Murderer é uma clara homenagem à de Rectify. O mural de fotos e as imagens da prisão são acompanhadas de violinos em uma música poderosa.

14. True Detective – 2ª temporada (2015)

É ousado, mas vou dizer: os créditos foram a melhor coisa na segunda temporada de True Detective. A sequência usa como base a mesma técnica da abertura da primeira temporada, uma composição de fotografias e o contraste das cores. Junto com Nevermind, cantada e composta por Leonard Cohen, o vermelho expõe o clima quente do deserto da Califórnia e as cenas aéreas evocam a vibe sinistra dos complexos industriais. Na série, produzida pela HBO, a cidade faz parte das pessoas, com o caos da vida moderna moldando ações e pensamentos, e nos créditos isso ganha um sentido literal, fazendo tudo parecer belo e ao mesmo tempo melancólico.

13. Orange Is the New Black (2013-)

As fotos de detentas sobre a canção You’ve Got Time, composta por Regina Spector especialmente para a série da Netflix, já têm efeito imediato, mas se tornam mais especiais com a história por trás da introdução. Aquelas são ex-detentas de verdade, e contribuem para a principal ideia de OITNB, de que a prisão é um lugar diverso, com mulheres de cores, etnias, crenças, olhares e sorrisos bem diferentes.

12. The Affair (2014-)

Essa não é só uma das melhores fotografias dessa lista, mas também contém uma das músicas mais bonitas já compostas exclusivamente para a abertura de uma série de tevê. Na letra de Container, Fiona Apple constrói uma história de desespero aludindo à água, a força da natureza que move os personagens na série da Showtime, enquanto deixa claro o tamanho da catástrofe que está para vir com a decisão deles de terem um caso extraconjugal.

11. Demolidor (2015-) 

Uma cidade sangra e nasce um herói. A sequência inicial desse herói da Marvel é quase biológica, são entranhas, tanto do homem cego de Hell’s Kitchen quanto da cidade que o criou. O vermelho pingando faz alusão à entrada de Hannibal enquanto a composição das formas pega emprestado de Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (David Fincher é muito inspirador), mas tudo se junta para encontrar seu próprio tom, entre o psicopata perverso e o anti-herói infeliz, entre o sangue que escorre na morte e o sangue que nos mantém vivos, entre o que a cidade espera de alguém e o que alguém espera da cidade, enfim, entre o bem e o mau.

10. Jessica Jones (2015-)

Você pode ouvir à música instrumental da abertura de Jessica Jones de olhos fechados e ainda assim entender sobre o que é a série. Ela começa com um piano que entoa um tema clássico de jazz dos filmes de detetive, depois ganha batidas mais modernas e um solo de guitarra indicando um conflito explosivo antes de voltar à calmaria do piano. Agora abra os olhos: o trabalho de arte estilo aquarela traz a série para as origens das revistas em quadrinho, e as imagens de becos, muros e janelas remetem à inspiração do cinema noir, enquanto os tijolos vermelhos e os táxis amarelos descrevem a Nova York de Jessica. A introdução também foi criada pelos mesmos caras que faziam as capas de Alias, a HQ original, então é fácil entender como eles acertaram tão na mosca.  

9. True Detective – 1ª temporada (2014) 

Lá nos idos de 2014, quando True Detective era excelente, sua introdução completava a história que estávamos assistindo na tela, e as duas coisas estavam basicamente no mesmo nível de competência e beleza. Enquanto vemos o cinza das bombas de petróleo invadirem a cabeça das pessoas, as áreas verdes da Louisiana rural trazem os personagens para um conto de rituais satânicos nos anos 70, ao som de Far From Any Road, de The Handsome Family. As composições duplas são estilísticas e representam bem a fotografia fria da série, enquanto as imagens mais simbólicas vão entrando organicamente, até que o conjunto diz tudo sem revelar nada.

8. American Horror Story: Hotel (2015)

Existe pouca gente fazendo terror na tevê atualmente. Desses, Ryan Murphy pode ser considerado o mestre que Hitchcock foi para o terror no cinema. A cada temporada a abertura de AHS, do FX, parece ficar mais e mais assustadora. Em Hotel, os cortes rápidos referenciam Os Dez Mandamentos e, claro, as pessoas não os obedecendo. Obviamente o tema hotel está presente, algumas vezes em sutilezas inteligentes, outras escancaradas, o que torna a mensagem bem clara: entre por sua conta e risco.

7. Crazy Ex-Girlfriend (2015-)

Rachel Bloom, musa do YouTube, estrela a nova comédia musical da The CW. Claro que a música de abertura reflete tudo isso: o humor ácido que tornou Bloom famosa, que veremos outras apresentações durante o episódio, a história de vida da personagem Rebecca e que Crazy Ex-Girlfriend vai constantemente tirar sarro de si mesmo. Por exemplo: a abertura é só uma piada que vale a pena ser repetida toda semana, já que não tem o nome de ninguém que trabalha na série, e no episódio 11, a animação inicial foi substituída por uma versão falada que fazia parte da narrativa.

6. Game of Thrones (2011-) 

Complexa seria uma boa palavra para descrever a introdução do prestigioso drama da HBO, e não coincidentemente é também uma boa palavra para descrever as relações de poder na história. Todas aquelas engrenagens, inspiradas nas engenhocas inventadas por Leonardo da Vinci, refletem o quão bem organizados todas as partes de um reino têm que estar para que ele funcione. Um sinal sutil de que as coisas estão avançando na trama é que a viagem pelo mapa de Westeros pode mudar levemente de acordo com a posição dos personagens no episódio. Pelo menos 15 versões diferentes já foram exibidas, e o nível de detalhe da animação é impressionante. Uma série onde eles continuamente trabalham nos créditos? Mais raro do que ovos de dragão.

5. The Letfovers – 2ª temporada (2015)

Então, vocês se lembram de Lost e a pressão que existia para que todos os segredos fossem revelados? Em seu trabalho mais recente, na HBO, Damon Lindelof resolveu dar uma dica de como assistir a série, e ela veio pela música de entrada, Let The Mystery Be, composta por Iris Dement. A letra é aquela velha reflexão: de onde viemos, para onde vamos? Mas com uma nova resposta: deixe que o mistério seja. Nada de explicar o arrebatamento, deixe que o mistério seja. E aquelas fotos com (sem) as pessoas que partiram? Trabalho maravilhoso de Photoshop, mas é, deixe que o mistério seja.

4. Unbreakable Kimmy Schmidt (2015-) 

Se você já andava pelos cantos mais obscuros do YouTube em 2010, você se lembra do fenômeno do Bed Intruder, uma música feita a partir de uma entrevista para uma emissora de tevê sobre uma tentativa de estupro. Na série da Netflix, quando Kimmy é resgatada das mãos do líder de um culto que a mantinha em um abrigo subterrâneo, um de seus vizinhos dá uma entrevista sobre o caso, que se torna um viral (feito pelos mesmos Gregory Brothers). Os créditos são uma transposição perfeita da cultura underground da internet para uma plataforma mainstream, e com certeza é strong as hell!

3. Transparent (2014-) 

À primeira vista os créditos da dramédia da Amazon sobre um pai que resolve contar aos seus filhos que é transexual não parecem mais do que um conjunto de vídeos de família filmados em Super 8, que apontam o tom de nostalgia que a série traz em seus flashbacks. Mas na verdade existe quase uma aula inteira de estudos de gênero naqueles 45 segundos. A montagem termina em uma data clara: 1 de janeiro de 1994, é quando Mort Pfefferman começa a se sentir Maura Pfefferman, mas a inscrição com a data é a mensagem mais explícita da apresentação. Os home videos são de festas de Bar Mitzvá, o ritual de passagem judeu, enquanto as outras imagens são de The Queen, um documentário de 1968 sobre um concurso de drag queens em Nova York. Na verdade a abertura está se perguntando o que significa para o garoto judeu “se tornar um homem”, e para as drag queens, “se tornar uma mulher”. Elegante, não?

2. The Americans (2013-) 

É o seguinte: você deveria assistir aos 25 segundos da abertura de The Americans em câmera lenta pelo menos uma vez. Ela está recheada de mensagens subliminares, segredos e sutilezas que são bombardeados ao som de uma mistura de ritmos e sons clássicos da União Soviética e dos Estados Unidos. A colagem de fotos, desenhos e imagens icônicas dos países é um trabalho fenomenal de edição, roteiro e ação, e um grande tributo ao design dos anos 50 e 60 e a fotografia dos anos 70 e 80. Mais ou menos como toda a série produzida pelo FX. São comparações lado a lado, e ao mergulhar nas diferenças, as similaridades são trazidas à superfície. Assistindo à essa introdução eu me sinto quase como uma espiã tentando resolver mistérios e falar em códigos. Sinal de que funciona.

1. The Leftovers – 1ª temporada (2014) 

Eu tive calafrios a primeira vez que assisti à apresentação de The Leftovers, porque o universo apresentado ali parecia tão aterrorizante que me fez ter certeza de que 1) eu não sabia que tipo de série iria ver e 2) eu não sabia se teria estômago para ir até o fim. À propósito, a resposta para essa última pergunta foi um gigante “sim”. O tema da primeira temporada, muito mais sombrio que o da segunda, é uma reconstrução meio retorcida do clássico A Criação de Adão, teto da Capela Sistina, mas em vez de mostrar uma conexão sendo formada, retrata laços sendo quebrados e o horror dos últimos instantes das pessoas antes de serem sugadas por um buraco iluminado no céu. A música parece uma macha fúnebre renascentista que sustenta um crescendo que vai em direção ao desconhecido. Independente das crenças de cada um, a sequência é catártica, nos fazendo experimentar confusão, admiração, medo e finalmente um senso de desesperança que não seria curado até o último minuto do último episódio da temporada.

Menções honrosas:

Gracie e Frankie (copiado do nosso Entre Tapas e Beijos)
Man Seeking Woman
House of Cards
E uma salva de palmas para Mad Men e Hannibal, que se não tivessem sido canceladas, claramente teriam lugar nessa lista.

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Escrito por Ana Carolina Nicolau

Ana Carolina Nicolau

Encarou cinco anos de Cálculo pesado para descobrir que preferia as letras aos números. Apesar dos esforços para se concentrar nas telonas, foi capturada pela fascinante tevê do século XXI. Mantém uma relação chove-não-molha com a sétima arte no site take148.net. Atualmente estuda para encontrar a solução ótima da equação "cinema + tevê + vida social = 24h". Tem quase certeza que esse deveria estar na lista dos 7 Problemas do Millennium.

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