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LOVE: nova comédia de Judd Apatow mostra como o amor pode ser super F***ido

Mickey (Gillian Jacobs), apesar de ser muito bonita, apresenta uma compulsão por álcool, drogas e relacionamentos tóxicos. Gus (Paul Rust) é um nerd muito bonzinho, já na casa dos 30 anos mas que ainda não sabe bem o que quer fazer da vida. Parece improvável a possibilidade de os dois virem a ter algum tipo de relacionamento afetivo, mas com um pouco das famosas irônias do destino, as coisas acabam acontecendo.

O casal pouco provável que acaba junto poderia ser o plot de qualquer comédia romântica atual, e poderia ser o caso aqui, não fosse talvez a mão de Judd Apatow, famoso por comédias como O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos. O comediante volta agora ao lado de Leslye Arfin (Girls) em uma comédia brutalmente sincera sobre os altos e baixos de um relacionamento e os precalços da vida adulta. A nova série Love, produzida pela Netflix dá um vislumbre sobre a geração do final dos anos 80 e começo dos anos 90 e sua incessante busca por entender o seu lugar, em um mundo visivelmente caótico (se você faz parte dessa geração é quase que impossível não se identificar de maneira instantânea).

A primeira vez que encontramos nossos protagonistas eles estão ambos passando por términos traumáticos. Quando Mickey surta e decide brigar com o vendedor da loja de conveniências (que se nega a vender um café fiado), Gus resolve intervir e pagar a bebida da garota. O que vemos a seguir é um conjunto de cenas contínuas, diálogos irônicos e situações inusitadas que levam os dois a firmarem uma espécie de amizade. As atuações de Gillian e Paul, junto com o roteiro leve (porém ácido) fazem com quem o espectador mergulhe de cabeça nas situações propostas, deixando sempre aquela vontade de saber o que virá a seguir.

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A gente te entende, Mickey!

A comicidade do texto de Apatow e Arfin baseia-se no encavalamento de uma série de situações embaraçosas, das quais ninguém nunca está imune. Afinal, quem nunca sentiu que não estava vestido adequadamente para uma situação, ou não passou o dia olhando fixamente para o celular, a espera daquela mensagem que aparentemente não viria nunca? Quem nunca pensou em surpreender o crush no trabalho ou em uma festa e viu as coisas saírem completamente erradas?
Outro ponto forte, como é comum nas séries da Netflix, são as personagens coadjuvantes muito bem trabalhadas. O roteiro ainda não se furta a fazer críticas a indústria televisiva, seus clichês, a falta de diversidade e também de originalidade, conferindo um bem vindo caráter metalinguístico e crítico à produção.

Se Gus e Mickey vão ficar juntos no final, já não importa tanto quanto a jornada seguida por eles, ao longo de 10 episódios, para que isso aconteça (ou não).(O discurso de Mickey no episódio final é simplesmente de arrepiar). Apesar do teor um tanto amargo, Love ainda consegue ser doce e extremamente sensível, dando uma vontadinha de sentir aquele frio na barriga e expectativa dos primeiros meses de relacionamento (seria nossa tendência natural ao masoquismo? Vai saber!).

Assista a um trailer de Love:

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Escrito por Vitor Moura

Vitor Moura

Geek, Gaymer, fanático por cinema e literatura. Recentemente mergulhou de cabeça no mundo das séries e não voltou mais. Não raro o verá trocando uma noite de balada por uma maratona de Netflix.

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