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Game of Thrones S06E08 – No One

O jogo

Enquanto nos aproximamos cada vez mais do fim, o público fica cada vez mais insatisfeito com desenvolvimentos lentos ou, francamente, inexistentes. Faz sentido que os nervos se aflorem quando sabemos que a guerra entre os Bolton e os Stark não pode mais ser adiada, mas as vezes é preciso respirar fundo e confiar nos roteiristas para apreciar os episódios mais mornos, como foram o desse domingo, No One, e os dois últimos, The Broken Man e Blood of My Blood, nos quais dizem, popularmente, que “nada aconteceu”.

Por mais que eu concorde que nada aconteceu em termos da resolução dos conflitos maiores de Game of Thrones, eu defendi esses episódios por darem espaço a certas tramas que considerávamos perdidas ou mesmo desnecessárias, como o fantástico tempo que o Cão passou com os hippies (sim, achei aquelas cenas sensacionais) ou o reencontro de Sam com a família.

Game of Thrones é uma série de várias histórias paralelas, e certamente umas são mais poderosas ou mais importantes que outras, mas é incrivelmente difícil focar em desenvolvimento de personagens em uma série com essa estrutura, e pode ser interessante criar essas aparentes ruas sem saída, pelo menos narrativamente, para personagens menores.

No One faz isso, e talvez o faça até demais, criando situações especiais para tantos personagens secundários ou até desconhecidos que não consegue avançar nada na história principal, mas, se você esquecer por um segundo que Game of Thrones é a história do jogo pelo trono, fica mais fácil perceber como esses pequenos desvios fazem da série mais do que isso, e tornam GoT uma viagem pelo mundo das reações – o que faz as pessoas rirem, chorarem ou quererem se vingar –, e como isso pode ser tão fascinante como a batalha que está pra vir.

O momento mais mágico

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Os curativos ultra eficientes de Lady Crane pareceram até magia divina (uma galera até levantou a hipótese de ela ser uma sacerdotisa), mas é difícil acreditar que aquilo foi mais do que um descuido da série. Talvez os ferimentos de Arya não fossem tão sérios quanto fomos levados a acreditar pelas REPETIDAS FACADAS NA BARRIGA do último episódio, talvez Lady Crane fosse realmente boa em “colocar buracos, se sentir horrível e fazer curativos” nos homens difíceis que ela amou, o fato é mesmo se desconsideramos tudo isso, a história de Arya não vale a presença magnética e nem a morte horrível da atriz nesse episódio.

Primeiro, Arya sabia que estava sendo perseguida, e portanto sabia que estava colocando Lady Crane em perigo ao aceitar dormir com a poção do sono. Segundo que as encenações do grupo na praça foram algumas das cenas mais interessantes dos últimos episódios, e acabar com elas por causa da arrogância de Arya é um mau uso tremendo desse arco. Se Arya não queria ser ninguém, então ela deveria ter aceitado o convite de partir com a trupe para aprender a ser qualquer um. Um nome é algo extremamente importante, e o modo como ela se assume no final surtiu o efeito adequado, mas todo o aprendizado pessoal por trás da decisão não foi explorado de forma satisfatória pela série. O resultado da “jornada”, no fim, foi aprender a lutar no escuro.

Contagem de corpos: 10

Estou curiosa para ver onde o Cão vai se encaixar na história. Agora que fomos oficialmente apresentados a Irmandade Sem Bandeira, sabemos que eles são do tipo que brigam para ver quem tem mais direito de matar um traidor: do tipo que vale a pena seguir para ver no que vai dar.

Os militantes da Fé dos Sete pareceram um tanto abalados depois de testemunhar a força do braço do Montanha-Zumbi, mas facilmente resolveram o problema levando Tommen a passar uma lei proibindo o julgamento por combate. Foi uma bela traição, mais uma evidência que o Império Lannister está a um passo de desmoronar. Com Tommen com os dias contados (óbvio), e Cersei e Jaime fisicamente separados, parece cada vez mais impossível um renascimento do nome. No entanto, foi surpreendente ver que do outro lado do “mundo”, em Essos, a tragédia de Cersei ainda gera simpatia do público como a mãe que perdeu o filho amado em um injusto ato de vingança do tio. Nós já vimos que colocar (ou querer colocar) fogo geralmente não leva a reações extremamente negativas do povo, mas ao contrário: Jaime foi um herói por impedir o Rei Louco de fazê-lo, mas ficou conhecido e odiado como Regicida, e os Dothraki aceitaram bem o domínio de Daenerys. Então se Cersei prosseguir com os rumores que “seus passarinhos” a contaram, provavelmente de que ainda há fogo-vivo estocado embaixo de Porto Real, a matança pode ajudá-la a se restabelecer como líder? Não sei, mas por favor, deem algo para Cersei fazer além de ameaças. Ou a matem de uma vez.

Para variar um pouco, dessa vez Game of Thrones resolveu esconder as maiores mortes do episódio fora de campo, deixando que as machadadas do Cão e o “Arranquem-lhe as cabeças” do Montanha-Zumbi tivessem os holofotes da violência. O sacrifício do Peixe Negro e a morte da Garota Ninguém foram exceções em GoT, e por isso mesmo tiveram sua importância destacada. O Peixe Negro morreu lutando por algo que ele acreditava ser seu por direito, resignado pela traição de Edmure. E apesar do arco de Arya ser totalmente injustificado, a cena da perseguição que levou à morte da Garota foi bem executada e envolvente. E se lutar cega foi realmente a única coisa que ela aprendeu, então a cena foi um bom final para sua jornada. Agora a pergunta que fica é: por que Jaqen H’ghar deixou ela continuar viva?

Decisões tomadas sob efeito do álcool: 2, Verme Cinzento e Missandei caem nas garras de Tyrion

bscap0003Mais piadas, por favor, mais piadas!

Esse é o tipo de cena que faz valer um episódio como No One. Aquele sorriso do Verme Cinzento é provavelmente a declaração de amor mais singela e verdadeira que vamos ter em. Mais romântica até do que a troca de olhares ardentes de Jaime e Brienne na cabana, por motivos de: Verme Cinzento não é um idiota completo.

A faca pelas costas

Querido Lord Edmure, algo me diz que você não viverá para contar essa história.

Notas:

– Pela primeira vez, a entrada de Daenerys não pareceu um super evento, e assim que deve ser até de fato ela fazer algo que mereça ser tratado como um super evento.

– Então Sansa não traiu Jon pedindo arrego para o Mindinho, já que a carta era para o Peixe Negro. Ela pode se sair melhor do que esperávamos nessa coisa toda de ser uma líder.

Nota: B

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Escrito por Ana Carolina Nicolau

Ana Carolina Nicolau

Encarou cinco anos de Cálculo pesado para descobrir que preferia as letras aos números. Apesar dos esforços para se concentrar nas telonas, foi capturada pela fascinante tevê do século XXI. Mantém uma relação chove-não-molha com a sétima arte no site take148.net. Atualmente estuda para encontrar a solução ótima da equação “cinema + tevê + vida social = 24h”. Tem quase certeza que esse deveria estar na lista dos 7 Problemas do Millennium.

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