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Game of Thrones S06E05 – The Door

NA ÚLTIMA SEMANA: Jon e Sansa partem em busca de vingança em The Book of Stranger

O jogo

A sexta temporada de Game of Thrones vem sendo bem temática. Juntar todas as tramas de um episódio em torno de uma ideia em comum é uma característica forte da televisão, mas foi preciso que GoT se separasse de vez dos livros para que pudesse finalmente assumir todas os traços de seu formato, e The Door foi amarrado como uma investigação dos traumas dos personagens.

Além de descobrir o fatídico dia que mudou a vida Hodor, vemos Sansa confrontar Mindinho com as consequências do casamento forçado com Ramsey, Arya não consegue ser ninguém ao assistir o assassinato de seu pai, Theon encontra sua voz novamente e até Varys é lembrado da pior noite de sua vida. Esses traumas pessoais colocam os personagens em rota de colisão com uma necessidade de vingança que é concentrada em torno de uma causa maior. Todas essas experiências ganham sentido em um contexto mais profundo e inspiram decisões drásticas.

O momento mais mágico

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As viagens de Bran, que até agora estavam deslocadas das tramas principais, começaram a se entrelaçar em The Door. Viagem no tempo é algo complexo de se fazer, e as regras que ela segue em Game of Thrones não estão ainda muito bem determinadas. Mas, teorias à parte, o que sabemos com certeza é que Bran criou um problemão ao colocar os Caminhantes Brancos atrás dele. E agora que eles conseguem entrar até em lugares protegidos por causa da marca que deixaram no braço de Bran, isso deixa o garoto sem muito lugar para se esconder. Estamos caminhando (hehe) para a grande batalha do episódio nove mais rápido do que o esperado, e Bran enfrenta uma enorme culpa no cartório. Então agora que ele não pode voltar para a árvore, é bom que ele pare de mexer onde não devia e comece a procurar uma solução para toda a bagunça.

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Em termos de beleza visual, as cenas aéreas da árvore, primeiro no verão quando os Caminhantes foram criados e depois no inverno quando Bran vê o exército, foram pura mágica. Game of Thrones é cheio de paralelos visuais e cenas que se repetem esteticamente para contar uma história menor e estabelecer relações. Algumas vezes elas estão escondidas (comparar uma cena da primeira temporada com uma cena de agora é um trabalho árduo), mas a tomada da árvore foi estranhamente explícita, o que além de conferir poesia fotográfica para o momento, ajudou a marcar o contraste entre o deslocamento temporal e o deslocamento espacial de Bran. E ah, o inverno chegou.

Contagem de corpos

Hodor.

Decisões tomadas sob efeito do álcool

Para variar, Tyrion encontra soluções para os maiores problemas do mundo em uma boa taça de vinho. O encontro dele com Kinvara, outra das servas do Senhor da Luz, cria um importante dilema. Ao contrário de Melisandre, ela acredita que Daenerys é a Prometida, o que pela primeira vez na série, coloca a Mãe dos Dragões e Jon Snow em posições antagônicas. Isso cria uma alternativa fantástica para a narrativa. Se Jon é o verdadeiro herói de Game of Thrones, a série pode fazer Daenerys sua maior vilã, e isso seria ousado, arriscado e também muito fascinante de se ver.

O fato de que Kinvara usa o mesmo colar de Melisandre reforça a tese de que a magia da juventude estaria concentrada no colar. E Kinvara não faz questão de esconder que é muito mais velha do que parece – ou faz questão de parecer perigosamente sábia. Ela descreve com um perturbador nível de detalhes o ritual de castração de Varys, sugerindo que talvez ela estivesse presente, e ganhando o respeito dos aconselhados através do medo. “Conhecimento te fez poderoso”, a feiticeira diz para Varys, e parece estar acontecendo o mesmo com ela.

A melhor fala

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– Hodor

A morte de Hodor foi talvez uma das tramas mais intrigantes que Game of Thrones já apresentou, porque ao responder uma pergunta antiga, a série criou novas perguntas cujas respostas podem mudar todo o enredo principal. Basicamente, se Bran estava controlando a mente de Hodor no momento em que ele protagonizou seu ato heroico, Bran é um assassino. E se não, o sacrifício de Hodor coloca uma pressão gigantesca para que Bran tenha um papel ativo de herói, pois só assim ele vai completar sua redenção. Ou Hodor foi o mais fiel dos amigos, ou foi explorado perversamente por ter algo de especial que permitia que Bran entrasse em sua mente. É admirável que Game of Thrones continue a ter dilemas dessa natureza, e mais ainda, que continue a deixar a reflexão no ar, sem oferecer respostas fáceis.

Shame, shame, shame

Finalmente aconteceu o que estávamos esperando há anos. Bran? Não. Sansa? Não. Eu falo do pênis. Depois de ser muito criticada por fazer nudez gratuita, em sua maioria cenas com mulheres (morte e peitos é a versão cantada de Maisie Williams para a música tema) Game of Thrones resolveu colocar tudo para fora ontem à noite, e não foi bonito. Foi um passo para tão sonhada igualdade de aparições genitais nas séries de tevê? Na verdade não. Mostrar o pacote completo de um personagem minúsculo e usá-lo para uma piada não iguala nada. A regra parece ser: nudez feminina é sexy, enquanto nudez masculina é engraçada. Até para quem gosta mais de pintos do que de peitos, entre peitos inqueimáveis e pintos com verrugas, não é preciso nem perguntar qual foi mais agradável.

A vencedora da rodada: Sansa Stark

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O encontro de Sansa com Mindinho deixou falas memoráveis em uma cena emotiva e rica. Também foi uma cena em resposta às várias críticas que Game of Thrones recebeu ao longo dos anos pela forma como retratou a violência contra as mulheres, mas diferentemente do que costuma acontecer com reações do tipo (pintos!), o momento não parece forçado e compensa com a relevância da honestidade do texto. Sansa finalmente deixa de ser Sonsa freando as intenções mentirosas de Mindinho: “Se você não sabia, é um idiota, se você sabia, é meu inimigo”. Então ela descreve uma das cenas mais violentas da série, e graças a uma performance cheia de nuances de Sophie Turner, a descrição em palavras do estupro cometido por Ramsey soa mais intensa do que foi a cena em si. Obviamente a tevê é uma mídia visual, e justamente por isso o contraste entre imagens e palavras ganha mais força. “Ainda consigo sentir. Não digo sentir no coração, apesar da dor, mas consigo sentir no meu corpo, aqui, agora”. Não sei se fiquei mais triste com o diálogo ou com o fato de que Brienne poupou a vida do traidor.

Notas:

– Pela primeira vez eu senti a falta de técnica da atuação de Emilia Clarke, que geralmente consegue me satisfazer. A troca de juramentos de amor com Jorah foi totalmente plana. Não consegui sentir empatia por Jorah, e nem acreditar nas palavras de Daenerys. Você está doente, tchau, bola pra frente, um dia a gente se vê.

– O teatro na corte foi um dos momentos engraçados mais inteligentes que a série já fez. Foi metalinguístico em várias camadas, foi hilário, e foi eficiente para o enredo de Arya. Menos o pinto.

Nota: A-

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Escrito por Ana Carolina Nicolau

Ana Carolina Nicolau

Encarou cinco anos de Cálculo pesado para descobrir que preferia as letras aos números. Apesar dos esforços para se concentrar nas telonas, foi capturada pela fascinante tevê do século XXI. Mantém uma relação chove-não-molha com a sétima arte no site take148.net. Atualmente estuda para encontrar a solução ótima da equação "cinema + tevê + vida social = 24h". Tem quase certeza que esse deveria estar na lista dos 7 Problemas do Millennium.

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