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Game of Thrones S06E03 – Oathbreaker

NA SEMANA PASSADA: Jon Snow reaparece de olhos bem abertos

O jogo

Nem só de bombas vive Game of Thrones. Em comparação com os dois primeiros episódios da temporada, o terceiro, Oathbreaker, foi tranquilo. Tranquilo não significa que não rolaram cabeças, mas a história serviu para avançar várias tramas em vários pontos de Westeros sem grandes momentos.

Uma diferença é que Oathbreaker foi mais engraçado do que o usual. A série parece estar mais leve desde que se desprendeu dos livros. Talvez porque Game of Thrones ficou tão conhecida por suas desgraças que a ausência de sofrimento faz uma grande diferença no tom da história. Em geral, o texto da série está mais descontraído. Vimos Tormund dar uma explicação bem fisiológica sobre a não divindade de Jon Snow, Sam vomitando as tripas fora na viagem de navio, Tyrion ensinando o Verme Cinzento e a Missandei como ter conversas de elevador, e Varys rindo do excesso de roupas dos guardas. Ao mesmo passo que esses diálogos tiram a tensão constante que aflige os personagens, eles também nos lembram que a comédia e a tragédia sempre andaram juntas. É divertido ver a série explorar esse outro lado, ainda o humor sirva como gatilho para as próximas coisas terríveis que acontecerão.

Além das piadinhas simples, a cena da conversa entre Tommen e o Alto Pardal, exibida logo no Dia das Mães, foi cômica em sua ironia. “O amor dela [Cersei] por você é mais real que tudo nesse mundo, porque não vem desse mundo”. Essa é uma forma esperta de tentar virar Tommen contra a própria mãe, o fazendo crer em um poder superior que condena as ações de Cersei. Se chegarmos a isso, pode ser um dos momentos mais irônicos – e dessa vez não cômicos – da série. Amor de mãe pode ser infinito, mas ninguém disse nada sobre amor de filho.

Boletim médico de Jon Snow

São e salvo, com leves sinais de depressão.

Jon Snow não é o primeiro personagem principal de uma série a voltar à vida. A virada já foi feita várias vezes antes dele, com consequências diferentes para os ressuscitados. Em Buffy, a Caça-Vampiros, quando Buffy morreu, ela viu o paraíso. Quando seus amigos a trouxeram de volta por meio de um ritual, a Terra tinha se transformado em um inferno. Mais recentemente, em The Leftovers, Kevin morreu (apesar de ainda haver controvérsias sobre essa interpretação), foi parar em uma espécie de limbo e decidiu que valia de tudo para voltar. A reação de Jon ficou entre Buffy e Kevin. Ele diz à Melisandre que viu “Nada, nada mesmo” enquanto estava morto. Ao mesmo tempo, Jon acorda confuso sobre o tipo de lugar que a Terra é, onde “você tenta fazer a coisa certa e é assassinado por isso”. Ele não quer morrer de novo, mas também não viu (ainda) o propósito em voltar.

Contagem de corpos: 10 (+ 1 cabeça de lobo)

Finalmente tivemos o tão esperado flashback da Torre da Alegria, e foi mais uma Torre da Decepção, apesar do combate que tirou 6 vidas. Havia esperanças de que alguma informação sobre a paternidade de Jon fosse revelada no momento, mas Bran foi tirado da sala de cinema antes do final do filme. No entanto, pelo menos um segredinho escapou: Bran descobriu que a lenda de que Ned tinha matado Sor Arthur Dayne era balela. O membro da guarda do Rei Louco, que era um dos melhores cavaleiros do reino e derrotou quatro companheiros de Ned sozinho usando duas espadas. Ned teria perdido a cabeça não fosse Roland Reed, que em um ato covarde apunhalou Dayne pelas costas.

Na Muralha, Jon dá a sentença de morte para os mentores de seu assassinato. Ele hesita uns segundos antes de cortar a corta que os enforca, mas o faz. Algo de interessante pode ser resgatado das últimas palavras de Thorne. Ele se defende dizendo que preferiu trair o líder do que a instituição. Isso é, ele vivia sob a interpretação literal do juramento da Patrulha da Noite, e não foi capaz de entender as mudanças que estavam ocorrendo e se adaptar a elas. É uma metáfora poderosa nos tempos em que vivemos: muita gente achando que está fazendo a coisa certa porque algum livro dito sagrado assim o disse.

Mesmo se para o público foi um alívio ver Olly punido por sua traição, não foi tão fácil para Jon. Afinal de contas, ele é tão “boa pessoa” quanto o universo de Game of Thrones permite que alguém seja, e matar uma criança não é uma ação que ele subestima. Na verdade, é tão difícil, que parece estar intimamente ligado com sua decisão de deixar a Patrulha nos minutos que seguem. Não faz mais sentido. E apesar do nome do episódio se traduzir para algo como “O quebrador de votos”, tecnicamente Jon Snow não está quebrando seu juramento, já que o verso diz “A noite chega, e agora começa a minha vigia. Não terminará até a minha morte”.

É uma decisão que muda tudo que conhecemos sobre Jon Snow, mas que vai colocá-lo rumo ao encontro de seus irmãos, e quem sabe, rumo à Porto Real para a disputa do trono.

A faca pelas costas

Ao que parece, a Casa Umber trocou a fidelidade aos Stark pelos Bolton. O pequeno Rickon, que não é mais tão pequeno, foi entregue a Ramsey junto com Osha. Alguns fãs apontaram a possibilidade de ser uma armação dos Umber, já que a cabeça do lobo que eles entregaram como prova de DNA não parecia ser gigante o suficiente. Por mais que essa teoria seja agradável e dê uma pontinha a mais de esperança para os Stark, é difícil entender qual seria o plano, já que de fato eles entregaram o garoto, e nós sabemos o que Ramsey é capaz de fazer com um prisioneiro.

A melhor fala

1

“Eu não deveria estar aqui”
– Jon Snow

De fato.

Shame, shame, shame

Qual o valor de ser Daenerys Targaryen, Filha da Tormenta, a Não Queimada, Mãe de Dragões, Rainha de Mereen, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, Senhora dos Sete Reinos, Khaleesi dos Dothraki, a Primeira de Seu Nome quando se está no meio de outras Khaleesis que também se achavam tudo isso? Não muito.

Podemos dizer que a história de Daenerys é a mais arrastada de toda a série. Ela continua voltando para o mesmo lugar: humilhada, sem poder, sem experiência, sem aliados. Nessa temporada, as coisas estão andando especialmente devagar para a mãe dos dragões, que por acaso passou o dia das mães sem nem sinal de seus filhos. Chegando ao tempo das viúvas dos Kahls, Daenerys foi colocada em seu devido lugar. Ali ela é só mais uma e não faz sentido ficar proclamando seus vários nomes como um gesto de força. A personagem é orgulhosa demais para aprender qualquer lição com as mulheres, portanto só nos resta torcer para que Jorah e Daario agilizem esse resgate e Daenerys possa enfim fazer algum progresso.

A vencedora da rodada: Arya Stark

Aparentemente essa virou uma sessão onde falamos da vida de Arya só porque eu não consigo encaixá-la em nenhum outro lugar. Mas acho que todos ficamos felizes pelo fim do treinamento da garota, que agora pode começar sua verdadeira jornada como ninguém, o que vai ser bem interessante.

O que mais me chamou atenção na sequência, no entanto, não foi o conteúdo. De vez em quando Game of Thrones surpreende com montagens espetaculares, e a intercalação das respostas de Arya sobre o passado com suas cenas de luta foi emocionante e bem feita. Me lembrou Daniel San em Karatê Kid. Foi fundo nas referências, hein, GoT!

PS: Arya faz questão de deixar o Cão de Caça fora de sua lista, dando mais uma indicação de que ele pode voltar. Ele provavelmente é o único que pode derrubar o Montanha-Zumbi, e, se acontecer, essa vai ser uma das batalhas mais épicas de toda a série.

Nota: B

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Escrito por Ana Carolina Nicolau

Ana Carolina Nicolau

Encarou cinco anos de Cálculo pesado para descobrir que preferia as letras aos números. Apesar dos esforços para se concentrar nas telonas, foi capturada pela fascinante tevê do século XXI. Mantém uma relação chove-não-molha com a sétima arte no site take148.net. Atualmente estuda para encontrar a solução ótima da equação "cinema + tevê + vida social = 24h". Tem quase certeza que esse deveria estar na lista dos 7 Problemas do Millennium.

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