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Crítica – Star Wars: O Despertar da Força

Poucos filme me deixaram com tanto sentimento conflitantes quanto Star Wars: O Despertar da Força.

Nem lembro bem quando foi a primeira vez que assisti Star Wars. Devia ter o que, uns 5, 6 anos? Não sei. Só sei que, desde que me lembro por gente, o universo de Star Wars é parte importante do meu universo pessoal. Nunca peguei uma vassoura para limpar a casa sem imaginar que aquilo fosse um sabre de luz, e sempre senti que a Força estava comigo. Assim, mesmo que me esforçasse para não transparecer, a estreia do episódio VII de Star Wars era um filme que mexia muito comigo.

E continua mexendo até agora quando, mesmo depois de 24 horas, ainda não sei direito o que dizer do filme.

Ao mesmo tempo que não tenho do que reclamar dele, eu tenho o que reclamar. Ao mesmo tempo que ficava empolgado a cada cena, a sucessão delas ia me deixando deprimido. Posso muito bem dizer que Star Wars: O Despertar da Força é o filme de Schrödinger: ele é e, ao mesmo tempo, não é o filme que eu esperava.

O Despertar da Força é o filme que eu esperava por ser, sem dúvida nenhuma, o melhor filme de Star Wars já feito desde a década de 80 (ou seja, desde a trilogia original). Os novos personagens são cativantes, muito mais do que os da trilogia prequel (e olha que já fomos assisti-la amando tanto Obi-Wan quanto Anakin/Darth Vader). Os cenários são lindos, e os efeitos especiais foram muito bem utilizados, trazendo a franquia de vez para a nova geração do cinema sem ficar parecendo um jogo de vídeogame ruim (sério, aquela luta do Yoda com o Conde Dooku, ainda que foda, não envelheceu NADA bem). O fanservice está ali, a todo momento, nos lembrando que todo aquele universo que amamos está, sim, de volta. A Força também se faz presente com papel fundamental na concepção filosófica do universo, e não mais como uma anomalia genética responsável por criar uma “raça” de “seres superiores” (se você não lembra de como George Lucas tentou transformar os Jedis em Siths nos X-Men com toda aquela história de midi-chlorians, sorte sua). E, ainda que a narrativa seja meio corrida e que não responda a todas nossas perguntas, criando algumas situações de roteiro que não fazem sentido, isso é exatamente aquilo que eu esperava de Star Wars, uma franquia que (provavelmente) nunca vai ganhar Oscar, Palma de Ouro ou qualquer prêmio “sério” de Melhor Filme, mas que será sempre o preferido entre a maioria das pessoas que vão aos cinemas apenas para se divertir.

E, ao mesmo tempo, O Despertar da Força não é o filme que eu esperava por ser muito próximo dos filmes da década de 80. Mas muito próximo mesmo. Próximo DEMAIS. Tão próximo que, com meia hora de filme, já era possível prever tudo o que iria se desenrolar dali pra frente. É sério. Tudo bem fazer um filme que dialoga bastante com outro, mas quando esse diálogo é tão grande que tudo o que é mostrado em tela é apenas uma versão remontada de uma história já contada antes, usando as mesmas reviravoltas, tramas e desfechos, isso já me deixa é desconfiado. Mas, numa franquia com a gama de possibilidades narrativas de Star Wars, usar as mesmas tramas, reviravoltas e desfechos criadas pela própria franquia – e apenas mudando os personagens de posição – é algo que me deixa mais do que desconfiado; me deixa é triste mesmo. O fanservice está ali, há todo momento, mas em doses cavalares, o que só aumentou mais minha percepção de “vamos fazer algo novo, só que nada aqui é novo”. E, no fim, parecia que eu tinha acabado de assistir um Star Wars que havia sido montado como os últimos jogos de Call of Duty ou Assassin’s Creed, quando prometem uma “grande renovação” na franquia e elas mudam, sim, mas sem mudar nada.

Já passaram 24h desde que eu assisti o filme, e ainda não sei dizer se gosto ou não dele. Tecnicamente, é um filme bom. Muito bom. Mas, ao mesmo tempo, deixa a muita a desejar. É um ótimo Star Wars e, ao mesmo tempo, é muito aquém do que um Star Wars poderia ser. E eu sei que sou o único que provavelmente achou isso perante as milhares de vozes emocionadas com o filme mas, me desculpem. Eu realmente queria apenas ter visto os pontos positivos e o filme inesquecível que vocês viram, mas não consegui.

Eu sei que O Despertar da Força é inesquecível e uma jóia que coroa o fim desse ano tão difícil. Mas a dúvida está ali, me puxando para o Lado Negro, fazendo perguntar se, apesar de incrível, esse é realmente o filme que merecemos. Porque ele é. E não é. Ao mesmo tempo.

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Escrito por Noia

Noia

Estudante de jornalismo da Unesp Bauru. Como cresceu sendo um gordinho nerd que sofre bullying, é viciado em qualquer coisa que possua dragões, naves ou super-heróis, e não tenta nem um pouco fugir do clichê do gordo nerd. Passa muito tempo jogando joguinhos e mais ainda assistindo séries, apesar do desejo oculto de querer usar todo esse tempo para dormir.

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