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Crítica – O Congresso Futurista

[Spoilers]

O filme O Congresso Futurista, que possui o israelita Ari Folman como roteirista e diretor, conta uma história que, apesar de se apresentar como uma ficção científica aparentemente surreal, tem diversas ligações com a realidade e, em particular, com a vida pessoal de sua atriz principal, Robin Wright, que interpreta, ironicamente, a personagem Robin Wright.

No filme, Wright é uma atriz quarentona, que se encontra em decadência na carreira, vendo distanciar-se não só sua juventude, como também as oportunidades de trabalho que fizeram dela uma artista famosa e requisitada nas décadas de 1980 e 1990. Condição esta que também se faz presente em sua vida por trás das câmeras. Após fazer sucesso em filmes como A Princesa Prometida e Forrest Gump – O Contador de Histórias, Robin viu sua vida profissional afundar e somente piorar com sua recusa para papeis importantes como nos filmes A Firma, Robin Hood e Batman Eternamente, informações presentes tanto na vida real, quanto no roteiro de Folman.

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Robin Wright é, no filme, mãe da adolescente Sarah (Sami Gayle) e do garoto Aaron (Kodi Smit-McPhee) que, por sua vez, possui uma rara doença degenerativa, o que se torna mais um motivo para Wright negligenciar sua carreira, em prol de ter a maior atenção possível voltada para seu filho.

Al (Harvey Keitel), seu agente, surge para a atriz com uma nova oportunidade, e que ele alega ser a última, proporcionada pelo estúdio cinematográfico Miramount (qualquer semelhança com os estúdios Paramount não é mera coincidência!). Assinando o contrato, Robin daria plenos direitos aos estúdios de utilizarem sua imagem como bem quisessem e, ao mesmo tempo, abriria mão de fazer qualquer tipo de trabalho como atriz. Porém, seu escaneamento lhe renderia uma substancial quantia em dinheiro, o que poderia ajudar no tratamento de seu filho, mesmo que isso significasse ter a si mesma diminuída a uma mera digitalização por décadas.

A produção cinematográfica de Ari Folman (também realizador do premiado filme Valsa com Bashir) vai além de apenas tratar das relações superficiais e comerciais que se dão na indústria do cinema. O filme mostra a superficialidade e sugestionabilidade de todos os seres humanos, que se deixam levar pela modernidade e pelas ideias de outros. A insatisfação com a própria vida e a ambição por ser quem não somos nos impõem o desejo de ficar a par da realidade, nem que isso signifique ter de fazer uso de substâncias moduladoras de humor e de personalidade.

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O Congresso Futurista surge como uma grande inovação, misturando, em um só longa-metragem, realidade e ficção, live action e animação, crítica e metalinguagem.

O filme conta com um roteiro inteligente e que exige a atenção constante do espectador e possui também impecáveis efeitos de animação e trilha sonora que nos enleva nessa viagem a um mundo virtual, mas que parece não estar tão longe assim da nossa realidade.

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Escrito por Julio Toledo

Julio Toledo

Estudante de Cinema, 20 yo. Pop culture lover e sempre remando contra a maré!

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