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Crítica: A Colina Escarlate

Os spoilers deste texto estão sinalizados

O filme me tomou apenas com o nome Guillermo del Toro, e tenho certeza que não foi assim só comigo. Del Toro é um dos mais renomados cineastas da atualidade, conhecido por abordar temas macabros de forma romântica e excêntrica. Comparado a outros longas do mexicano, o filme A Colina Escarlate é menos assustador que Mama e tão violento quanto O Labirinto do Fauno.  Estrelado por Mia Wasikowska (Alice no País das Maravilhas), Tom Hiddleston (Thor e Os Vingadores) e Jessica Chastain (Mama), A Colina Escarlate decepciona quem vai ao cinema esperando um terror digno de pesadelos, mas é uma boa pedida para quem quer curtir algo sombrio e intrigante nesse Halloween.

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O enredo tinha tudo para ser um terror pesado. Edith Cusshing (Wasikowska) é uma jovem escritora americana que sonha com um amor perfeito, que logo vem bater à sua porta na forma do misterioso Thomas Sharpe (Hiddleston). Eles logo se apaixonam perdidamente, mas são impedidos de juntar os trapos pelo pai de Edith (Jim Beaver, de Supernatural), que descobre algo negro no passado do rapaz e de sua irmã, Lucille Sharpe (Jessica Chanstain). O Sr. Cusshing paga para que eles se vão dali e deixem sua filha em paz, mas falece tragicamente logo em seguida. Sem nenhum familiar restante, Edith se casa com Thomas e se muda para a mansão deteriorada dos Sharpe, na Inglaterra, onde ela começa a receber visitas fantasmagóricas de mulheres que foram brutalmente assassinadas.

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É difícil não se sentir intrigado pela trama. Tudo caminha para a revelação de um grande mistério por trás das mulheres que insistentemente alertam Edith de um grande perigo que habita no casarão. O lugar é repleto de quartos caindo aos pedaços que são mantidos trancados, que poderiam estar cheios de segredos sobre a família dos Sharpe, e aqui caberia uma maldição ou algo do tipo. Mas não foi por esse lado que del Toro fundamentou o plot, e por isso o enredo acaba fugindo da linha sobrenatural, o que chega a ser frustrante, já que é sob esta embalagem que o filme está sendo vendido. Ainda assim, pra quem curte levar sustos, vá ao cinema ciente de que em algum momento você pode pular da cadeira, já que o filme é repleto de jumpscares.

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Cuidado! Spoilers a seguir

O que era pra ser um filme de terror acabou virando um filme de violência. Até ai tudo bem, mas o grande pecado do plot é o seu fundamento. Os assassinatos tem começo com a mãe de Thomas e Lucille, a qual Lucille mata sem dó nem piedade na banheira. E por qual motivo? Por que Lucille tem temperamento psicopata e…por que ela quis, basicamente. Sério? Ela pode até ter tido como motivação querer esconder o romance secreto com o irmão, mas este ainda me parece um argumento fraco e que não justifica um assassinato dessa natureza. Pode até não ser só este o argumento para o assassinato da mãe, pois quaisquer outros não ficam claro para o telespectador, já que quase nada do passado dessa família é explorado além do fato de que a mãe era uma mulher rancorosa. A falta de embasamento que justifique o comportamento psicopata de Lucille faz com que todos os outros assassinatos pareçam meras justificativas para que em primeiro lugar existam os fantasmas, que no final estão ali para ajudar Edith. Tudo isso ofusca bruscamente o caráter aterrorizante do filme, que no final parece um conto gótico de amor proibido.

Fim dos spoilers

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Seja como for, em algo del Toro acertou em cheio: o mexicano foi extremamente caprichoso com A Colina Escarlate quanto aos aspectos visual e musical. Os sets são incrivelmente detalhados. A mansão, em especial, me deixou encantada. Ela parece inteira talhada à mão, demonstrando ao mesmo tempo riqueza e deterioração, e esse é o elemento responsável pelo ar macabro que circula em todas as cenas.  Da mesma forma impecáveis, os figurinos foram cuidadosamente planejados. Alguns foram inteiros costurados a mão, como o diretor conta em uma entrevista. A trilha sonora de Fernando Velázquez aposta nas cordas, com foco no piano e no violoncelo, que realçam de forma formidável a dramaticidade do filme (pra quem quiser tirar uma prova, confira toda a trilha sonora aqui).

O diretor Guillermo del Toro instrui Jessica Chastain no set de filmagens.
O diretor Guillermo del Toro instrui Jessica Chastain no set de filmagens.

Outro ponto que justifica sua ida ao cinema é os três atores que encabeçam a trama. Para as fangirls de Tom Hiddleston, o filme é um prato cheio: o inglês está mais charmoso do que nunca. Afinal, ninguém melhor para interpretar um conde encantador e misterioso, com ares de Mr. Darcy, do que nosso querido Loki. Fangirlzice a parte, o moço não deixa nada a desejar em sua atuação, assim como Mia Wasikowska, que nos mostra com perfeição uma jovem que deve abandonar sua ingenuidade para encontrar coragem. No entanto, a presença dos dois se torna opaca perto da atuação brilhante de Jessica Chastain, que entrega intensidade à altura de seu papel. Nunca a vi melhor.

be mine ;3

O veredito? A Colina Escarlate é mais uma obra de arte de Guillermo del Toro. Ninguém faz romance gótico como ele. Não vá ao cinema, no entanto, esperando encontrar terror a nível de James Wan (Sobrenatural, A Invocação do Mal), pois nesse filme, assim como em O Labirinto do Fauno, o verdadeiro horror reside no ser humano.

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Escrito por Helena Nogueira

Helena Nogueira

Estudante de jornalismo na Unesp Bauru, gamer e apaixonada por filmes, séries e música. Sabe menos que o Jon Snow, mas faz o máximo que pode para enfrentar as As da vida real.

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