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As 10 melhores obras de Neil Gaiman

Um dos melhores e mais bem-sucedidos escritores vivos do mundo, Neil Gaiman é um escritor no sentido mais estrito da palavra: trabalhando com romances, contos, crônicas, biografias, textos jornalísticos, roteiros de audiovisual e para rádio, Gaiman já fez um pouco de tudo o que é possível fazer para ganhar dinheiro e reconhecimento apenas colocando palavras no papel. Agora, se você quer conhecer um pouco melhor o trabalho do escritor, reunimos aqui as 10 melhores obras dele, com histórias que você não pode morrer antes de conhecer!

Estação das Brumas (arco de histórias presente entre as edições #21 a #28 de Sandman)

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Sandman é considerado tanto pela crítica quanto pelos fãs como uma das melhores HQs já criadas na história. Considerada a criadora do gênero graphic novel, a série em quadrinhos trouxe uma história cheia de fantasia e mitologia com os Perpétuos, entidades cósmicas que foram as primeiras a surgirem junto com o universo, e aquelas que irão apagar a luz quando não restar mais nada. Mas, entre tantas histórias presentes nas 75 edições de Sandman, nenhuma é tão comovente quanto a do arco Estação das Brumas. A história mostra Sonho descendo até o Inferno para resgatar uma antiga amada que foi condenada à tortura infernal devido aos caprichos do Perpétuo, abordando temas universais como amor, fé, ressentimento e desejo de reparação. Além disso, Estação das Brumas também nos apresenta Lúcifer, um dos personagens mais legais já criados por Gaiman (e que vai ganhar uma série própria da Fox), sem contar o final, que é totalmente arrebatador.

Fumaça e Espelhos: Contos e Ilusões

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Uma coletânea com 31 contos do autor, todos eles com aquela leveza e profundidade característicos de Gaiman. Destaque para Neve, Vidro e Maças, uma releitura da história de Branca de Neve, Cavalaria, um conto sobre a busca do Santo Graal, e Mistérios de Assassinatos, uma história sobre o primeiro assassinato de todos, quando o mundo não era nada além de um projeto, e de como até mesmo isso fazia parte do plano divino.

Belas Maldições: as belas e precisas profecias de Agnes Nutter, bruxa

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Escrito em parceria com Terry Pratchet (também escritor inglês, famoso pela série de livros Discworld), Belas Maldições é tranquilamente o trabalho mais engraçado de Gaiman. A história é uma espécie de paródia do filme A Profeciaaquele do menininho que é o Anti-Cristo, lembram? – e, claro, conta a história do nascimento do Anti-Cristo, a criança que, segundo a Bíblia, será a responsável pela grande Batalha Final que acarretará no Apocalipse e no fim de toda forma de vida. Só que, por um erro das freiras satanistas que cuidaram do parto, o garoto foi entregue a uma família simples e sem graça do subúrbio de Londres, sendo apenas um garotinho normal nos seus 10 anos no momento em que o selo se rompe e os Cavaleiros do Apocalipse invadem a Terra, totalmente alheio a seu papel no Plano Maior – papel esse que ele não tem a menor intenção de exercer. Belas Maldições é uma obra-prima da ironia e do sarcasmo do começo ao fim, e mostra um humor tipicamente inglês com total influência de Monty Python, misturando o completo non-sense com uma crítica mordaz aos poderes estabelecidos pelo status quo da sociedade.

What happened to the Caped Crusader?

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Essa história, lançada em 2010, foi encomendada pela DC para ser “a última história do Batman”, lançada depois dos eventos de Crise Final e Batman R.I.P., que culminaram na morte do Homem-Morcego. O título é uma referência direta a O que aconteceu ao Super-Homem?, história publicada em 1986 por Alan Moore que mostrava Lois Lane narrando a um jornalista do Planeta Diário os eventos que acabaram culminando no fim da carreira do herói, como a revelação de sua identidade secreta e como as mortes de entes queridos e dos próprios vilões que o enfrentavam acabaram por abater o jovem Clark. Aqui Gaiman claramente se baseia na premissa de Moore, levando-a além: no funeral de Batman, cada um de seus amigos e vilões sobe ao púlpito para fazer um comovente discurso de despedida e prestar as últimas homenagens ao herói, onde cada um deles apresenta uma história totalmente diferente de quem é o Batman. A história usa essa construção em várias narrativas para nos mostrar que existe uma “essência do Batman”, algo que está presente em todas as versões apresentadas, e que seria o que realmente define que é o verdadeiro herói. A história segue o mesmo modelo de narrativa cíclica de Sandman, e traz um final digno e comovente para o super-herói mais amado da DC.

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Talvez o grande trabalho de não-ficção de Gaiman, o discurso dado pelo escritor em maio de 2012 aos formandos da University of the Arts, na Philadelphia, é um dos textos mais belos e emocionantes já escritos, e mostra toda a sensibilidade do escritor que aprendeu seu ofício não numa sala de aula, mas simplesmente vivendo. Sério, é de arrepiar! [Caso a legenda não apareça de imediato, é só habilitá-la na própria barra de reprodução, clicando no botão “subtitles/CC”]

Deuses Americanos

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O livro mais aclamado e premiado de Gaiman não poderia faltar aqui. Deuses Americanos conta a história de Shadow, um ex-presidiário que se vê no meio de uma guerra mitológica entre os “Deuses do Passado” (Odin, Thor, Loki, Seth e essa galera antiga aí) contra os “Deuses do Presente” (Cartão de Crédito, TV, Internet, etc). A trama baseia-se na ideia principal de “o que aconteceram com os Deuses quando as pessoas do Velho Mundo vieram para a América?”, e mostra como esses Deuses – antes tão venerados- acabaram perdendo espaço para as novas entidades – e o golpe que eles pretendem dar para mudar isso. Com o uso de uma infinidade de panteões (incluindo aí os deuses nórdicos, egípcios, celtas, das tribos inígenas norte-americanas e até alguns bem desconhecidos do leste europeu e da Ásia), Deuses Americanos é um dos maiores épicos de fantasia já escrito, e serviu para colocar de vez o escritor entre os grandes nomes de todos os tempos do gênero. O livro ganhará uma série de TV com o próprio Gaiman como roteirista, e deve estrear já no ano que vem.

Sinal e Ruído

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Essa emocionante HQ conta a história de um diretor de cinema que, ao descobrir que possui um câncer terminal, começa a imaginar a história de um filme – o último grande filme dele, o qual nunca terá tempo de produzir, já que morrerá antes. A narrativa é estabelecida através de dois apocalipses distintos: os acontecimentos de um apocalipse mundial (do filme imaginado pelo diretor) e da experiência do próprio diretor com um apocalipse individual muito mais tangível (o da própria morte), mostrando como ambos podem ser igualmente destrutivos. Além de roteiro de Gaiman, a HQ conta com os traços de Dave McKean, parceiro de longa data do escritor e que também é considerado um dos maiores artistas plásticos vivos.

O Livro do Cemitério

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Apesar do nome de filme de terror B, O Livro do Cemitério é na verdade uma história “infantil” – as  aspas aqui porque a cena de abertura dele é de uma tensão digna das melhores histórias de terror de Stephen King. O livro é uma espécie de “releitura” de O Livro da Selva (clássico de Kipling que nos apresentou a Mogli, o menino criado por lobos) e conta a história de Ninguém Owens, um garoto cujos pais foram brutalmente assassinados que acaba parando num cemitério, sendo criado pelos moradores do local – fantasmas, vampiros e outras criaturas da noite. Em O Livro do Cemitério, Gaiman desconstrói muito de nossa visão de mundo, mostrando que tudo aquilo que temos por “certo” nada mais é do que apenas um dos modos de enxergar as coisas, e dá toda uma nova perspectiva ao modo como enxergamos o desenvolvimento de uma criança.

Os Filhos de Anansi

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O livro nos conta a história de Charles “Fat Charlie” Nancy, um jovem rapaz inglês comum, com uma casa comum, um emprego comum e um relacionamento comum, que um belo dia descobre que é filho de Anansi, o Deus da Trapaça e das Histórias das regiões ao oeste da África. E não apenas isso, Fat Charlie ainda descobre que tem um irmão – Spider – que é tudo o que ele não é (bonito, desinibido, interessante) e que entra em sua vida para colocar tudo de cabeça pra baixo – mas será mesmo que isso é algo ruim? Gaiman traz de volta aqui um dos personagens criados para Deuses Americanos – o Sr. Nancy – para nos narrar aquela clássica história de como a família pode ser, ao mesmo tempo, a causa e solução de nossos problemas.

Referências musicais

Apesar de ser um escritor, Gaiman sempre teve uma relação bem direta também com o mundo da música. Em 1994, o escritor colaborou como a lenda do rock Alice Cooper, escrevendo a história para The Last Temptation, quadrinhos publicados pela Marvel que serviam para explicar a história do álbum de mesmo nome no roqueiro – os quadrinhos de Gaiman aparecem na abertura do videoclipe de Lost in America, single de maior sucesso do álbum. Além disso, o escritor é um dos poucos que possuem um álbum de músicas dedicado exclusivamente ao seu trabalho: em 2006 a Dancing Ferret Discs lançou Where’s Neil When You Need Him?, uma coletânea de músicas inspiradas em obras do escritor que contava com 17 bandas de enorme sucesso no cenário do rock alternativo e de vanguarda, entre elas Rasputina, Voltaire, Future Bible Heroes, The Crüxshadows e Tori Amos. Neil acabou escrevendo as notas presentes no encarte, e a capa ficou por conta do eterno parceiro do escritor, Dave McKean.  O álbum está disponível na íntegra no Spotify, e é altamente recomendado não só para os fãs do escritor, mas para qualquer um que goste de música boa.

E pra você, qual é o melhor trabalho de Gaiman? Deixe aí seu comentário!

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Escrito por Rafa Noia

Rafa Noia

Estudante de jornalismo da Unesp Bauru. Como cresceu sendo um gordinho nerd que sofre bullying, é viciado em qualquer coisa que possua dragões, naves ou super-heróis, e não tenta nem um pouco fugir do clichê do gordo nerd. Passa muito tempo jogando joguinhos e mais ainda assistindo séries, apesar do desejo oculto de querer usar todo esse tempo para dormir.

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