Compartilhar, , Google Plus, Pinterest,

Posted in:

A Semana da Ana: correndo atrás do prejuízo, e perdendo pra ele

 

Essa semana foi corrida. Tentei ficar em dia, sem sucesso, com séries que, se eu estivesse em dia, provavelmente estariam nessa lista: The Grinder, The New Yorker Presents, The Night Manager, Vynil… Mas nope, nada feito. Quem sabe na próxima semana. Não vamos nem comentar o fato de eu não ter terminado de ver nem a primeira temporada de Demolidor, o que me faz uma completa ignorante sobre a segunda. Ok, engole as lágrimas e vamos ao que eu consegui ver.

Recado que esqueci de dar semana passada: como esses são pequenos comentários sobre o que me chamou mais atenção no episódio da semana, as vezes vai ter spoiler. Vou me esforçar pra que eles não sejam gratuitos, mas se você está acompanhando a série e ainda não viu o episódio, se segure. Recado dados, vamos em frente.

Terça teve American Crime Story: The People v. O.J. Simpson, na FX

Me desculpem por ACS estar aqui outra vez, e me desculpem se estiver aqui pelas próximas três semanas, mas essa série é uma das melhores coisas atualmente. Conspiracy Theories (1×7) narra o famoso episódio das luvas que eram pequenas demais para O.J.. A cena do julgamento sozinha já foi motivo suficiente pra valer o título, mas duas outras cenas me deixaram com olhos brilhando. Sarah Paulson garante pelo menos dois momentos geniais por episódio. Primeiro ela explica o que seriam as ditas teorias da conspiração usando copinhos de cachaça em um jogo com a câmera super bem feito. Depois Marcia Clark divide 30 segundos de sorrisos com Chris Darden enquanto eles decidem se vão pra frente com o romance ou não. Digam o que quiser sobre Ryan Murphy e Cia., mas os caras sabem criar tensão.

Quarta teve Broad City, na Comedy Central

As meninas de Broad City continuam dando aula de como fazer a crônica humorística da vida moderna. 2016 (3×5) vai ser descrito como “aquele da Hillary”, mesmo que a verdadeira Hillary (sim, candidatos a presidente em campanha arrumam tempo para fazer tevê) só apareça nos momentos finais. O brilho do episódio está mesmo nas sequências em que Abbi precisa ir ao departamento de trânsito. Como se não bastasse o dilema da foto 3×4 ser relacionável pra qualquer pessoa desse planeta (e ets), a série brinca com nossos imaginários sobre repartições públicas e encontra espaço até pra um comentário sobre amizades com uma diferença de idade significante. Realmente não entendo porque não tem mais gente vendo e falando dessa série. GENTE, VÃO VER BROAD CITY PORQUE É FANTÁSTICO. Só dizendo.

Seguido de The Americans, na FX

Admito que faz pouco tempo que me atualizei em The Americans, vendo todas as três temporadas juntas, porque até então não tinha ideia do porquê ela estar pipocando em várias listas de fim de ano… E que achado, hein… É uma história de espião só que não. É uma história de amor só que não. É uma história de política só que não. A quarta temporada começou essa semana com Glanders (4×1), e foi uma première um pouco diferente das outras porque, em comparação, foi pobre em grandes momentos de ação ou em cenas que estabeleçam o arco geral da temporada, apesar de que podemos assumir que a guerra biológica vai ser um assunto importante. Talvez essa retranca seja porque as histórias mais interessantes em The Americans no momento sejam as relações pessoais de Elizabeth e Philip dentro e fora de casa. Enquanto Paige se transformou em uma personagem essencial e super perigosa depois do confronto com Elizabeth, Philip, ironicamente, entre tantas mentiras, só consegue ser emocionalmente honesto com Marta. Essa coisa de mostrar espiões “gente como a gente” é ousada pra caramba.

Quinta teve Baskets, na FX

Eu passei por momentos difíceis com essa série, e alguns ainda me fazem colocá-la na lista de espera, semana após semana. Mas depois de Picnic (1×9) está claro que Baskets é o que é, e tanto em seus episódios ótimos como nos ruins, consegue manter premissa básica de fazer comédia de situações extremamente depressivas que somente quando sobrepostas são capazes de criar um tom lúdico. Não é uma série de risadas, mas sim de pequenos sorrisos no canto na boca. Picnic é triste. É também um curta metragem perfeitamente construído. E boa parte dele se passa em Paris, buscando notas de uma comunidade que raramente aparece na tevê. Não vou comparar com The Americans, mas sejamos justos, uma comédia de 30 minutos que se recusa a legendar um episódio com várias cenas em francês é ousadia pura. Porque, o clichê: o amor é uma linguagem universal.

Sexta teve Animals, na HBO

Essa é outra série produzida por Mark e Jay Duplass que ninguém presta atenção, apesar de sua excelência. Mas calma, não tem nada a ver com Togetherness. Animals é uma animação feia, escura, muitas vezes nojenta, mas que virou uma queridinha porque seu humor é político, afiado e corajoso, mesmo se tratando de animais (tem uma pomba transgênero no segundo episódio). E ao contrário de muitos dos seus rivais, a série na verdade consegue manter um arco importante, protagonizados por humanos, por múltiplos episódios. Flies (1×7), a primeira vez das moscas, monta logo de cara uma história de abuso infantil que é o pontapé para uma trama sobre amizade. Como bônus, uma sequência com cavalos, com dublagem da genial Wanda Sykes, que é revolucionária e hilária.

banana1A Banana da Semana: o season finale de How to Get Away with Murder, quinta, na ABC

Não tenho palavras pra descrever o trabalho desse pessoal pra juntar pontas soltas. Os eventos de Anna Mae (2×15) se desenrolam como de praxe: um monte de informações entregues em discursos, flashbacks, planos mirabolantes e muitas mortes (por que tantas?!). Colocar mais uma dessas nas mãos de Frank foi no mínimo crueldade com um personagem que viemos a respeitar (amar já é demais). O problema com Frank é que Frankly, my dear, I don’t give a damn. A relação dele com Annalise não foi tão desenvolvida pra uma traição ter o efeito desejado. E o que dizer da cena final? SÃO. TANTAS. MORTES. Ou essas pessoas são todas psicopatas ou muito azaradas. O melhor do episódio? As sequências que justificam o título: Anna Mae confrontando seu pai abusivo, a perda do bebê e a expectativa da família. Descanse em paz até setembro, HTGAWM.

Compartilhar, , Google Plus, Pinterest,

Escrito por Ana Carolina Nicolau

Ana Carolina Nicolau

Encarou cinco anos de Cálculo pesado para descobrir que preferia as letras aos números. Apesar dos esforços para se concentrar nas telonas, foi capturada pela fascinante tevê do século XXI. Mantém uma relação chove-não-molha com a sétima arte no site take148.net. Atualmente estuda para encontrar a solução ótima da equação "cinema + tevê + vida social = 24h". Tem quase certeza que esse deveria estar na lista dos 7 Problemas do Millennium.

98 posts