Compartilhar, , Google Plus, Pinterest,

Posted in:

A Semana da Ana: The People vs. Scandal vs. Togetherness e os adeuses que a gente precisa dar

 

Spoilers, muitos spoilers, cuidado! Falando de: o final chocante de American Crime Story (ok, não é spoiler porque é vida real), mortes chocantes em The Americans e Scandal, um encontro sexual chocante em Girls e uma decisão chocante em um encontro sexual não chocante no final de Togetherness.

Essa semana estava recheada de últimos episódios, alguns da temporada, outros da série (eu não vou calar a boca por Togetherness), e foram momentos que provavelmente estarão na minha lista de fim de ano de melhores momentos. Além dos episódios escolhidos para essa lista, algumas outras séries me tiraram do sério (u see what i did here?). Seguem:

– um lindo, trabalhoso, bem filmado, marcante plano sequência na cena que abre o episódio Fifi (2×8), de Better Call Saul;

– uma rara cena de honestidade emocional de Ilana no episódio Burning Bridges (3×8), de Broad City;

– várias piada metalinguísticas sobre Orange is the New Black e sobre o fato de Melissa Fumero estar grávida no episódio Maximum Security (3×21), de Brooklyn Nine-Nine (além da decisão de tornar a ameaça a Pimento um arco de múltiplos episódios);

– uma virada incrível no episódio All the Livelong Day (1×7), de The Family, que resolveu o mistério sobre a identidade de Adam e abriu espaço para novas tramas, mais interessantes;

– aquela decisão bizarra da Hanna de ***** (várias palavras de cinco letras se aplicam) o Ray no meio da estrada no episódio Homeward Bound (5×8), de Girls. Eu honestamente acredito que a Hanna é a personagem mais egoísta de pelo menos os últimos dez anos da televisão americana. Se puderem me contradizer, por favor deixem nos comentários;

– o primeiro beijo de Kate e Jack no episódio What Kate Did (2×9), de Lost. I’m a sucker for romance.

Foi tudo muito bom, mas esses aqui mataram a pau:

Terça teve o series finale de American Crime Story: The People v. O.J. Simpson, na FX

A ficção não pode mudar a história, mas pode oferecer uma visão diferente das coisas. O season finale de The People v. O.J. Simpson (1×10) encerrou uma jornada de dez semanas na qual fomos levados a questionar raça, violência, preconceito, mídia e a cultura de celebridades. Foi um belo episódio final para uma série fascinante, apesar de seu trágico conteúdo. Se nas primeiras imagens da série temos o som dos protestos de 1992 contra a polícia de Los Angeles, um momento icônico para os Estados Unidos na luta contra a violência policial contra os negros, e The Veredict encerra com o som da torcida gritando por O.J. Simpson, em um momento que nunca mais voltaria a se repetir. A última tomada, de O.J. olhando para sua estátua, é representativa de sua descoberta final (que nunca saberemos se aconteceu de verdade): é um homem olhando para sua imagem, percebendo que ele próprio nunca foi mais do que isso.

Leia mais: American Crime Story é um dos melhores dramas do ano

Quarta teve The Americans, na FX

Atualmente os plot twists e os cliffhangers são usados tão em vão que quando uma série faz direito, a gente mal pode se conter de emoção. The Americans vem sendo consistentemente uma das melhores coisas da minha semana, e Chloramphenicol (4×4) chegou colocando qualquer twist de Shonda Rhimes no chinelo. A cena da morte de Nina me fez parar por um minuto para entender o que de fato tinha acontecido. E depois, depois de ler alguns artigos sobre a decisão (aqui e aqui), cheguei à conclusão de que era inevitável e foi feito da melhor forma possível. Isso não é dizer que não sentiremos sua falta, Ninotchka.

Sexta teve o season finale de Animals, na HBO

Eu não consigo não voltar a falar dessa sériezinha de tempos em tempos. Durante seus dez episódios, Animals reverteu todos os valores sociais, em um universo onde os humanos se comportavam como animais e viça e versa. Turkeys (1×10) finalmente entrelaçou as histórias dos bichinhos com o caso de corrupção do prefeito, dando sentido a trama desenvolvida durante a temporada, e oferecendo um desfecho sem finais felizes, mas justos. Quando você se emociona com a história de amor de dois perus de Ação de Graças é porque a série está fazendo algo certo. Destaque para a linda cena que antecede o quase-cliffhanger, uma montagem com todos os personagens que apareceram durante a temporada sob o som de Animal, da banda Jenny and Johnny. Foram uns movimentos de câmera ousados aqueles!

Domingo teve o series finale de Togetherness, na HBO

Em uma semana de muitos adeuses, vou sentir mais falta de Togetherness. Nós não temos muitas séries sobre amor na tevê atualmente. Amor, simples e puro. E o fato de uma série sobre amor, simples e puro, não ter audiência o suficiente para se manter no ar me preocupa um pouco. Em For the Kids (2×10), as decisões tomadas por Brett, Michelle, Alex e Tina são todas moldadas pelo carinho que eles sentem uns pelos outros, sem que egoísmo, ressentimento ou segundas intenções. Fiquei feliz que Brett e Michelle e Alex e Tina terminaram juntos (e eles vão ter um bebê!), mas sem conversarem, o que seria uma configuração perfeita para novas histórias em uma nova temporada que nunca existirá. Quando Sophie diz as outras crianças “Você quer vir para outro planeta?”, é como se ela também estivesse falando com o público, nos lembrando que apesar das histórias de Togetherness não serem mirabolantes e terem um pé bem preso na realidade, assistir a elas na tevê ainda parece um pouco como visitar outro planeta.

Pesquisa de opinião: o final de Togetherness merece um outro texto, mais completo? Sejam sinceros, possíveis leitores.

banana1A Banana da Semana: meu último episódio de Scandal, quinta, na ABC

A decisão de largar uma série é séria (u see what i did here?) e deve ser pensada com muita calma. Principalmente se essa série faz parte da Shondaland, responsável pelo maior grupo de viciados em séries anônimos do mundo. Mas é isso, Scandal, para mim deu. Eu já tinha falado um pouco sobre o meu desencanto com o season finale de How to Get Away with Murder por causa de seus momentos de (supostamente) cair o queixo. O momento brutal de Thwack! (5×17) me chocou menos que me decepcionou. Nesses dias nos quais o choque é necessário para manter uma audiência considerável, um episódio como esse parece levantar a bandeira de que os números importam muito mais do que a história que a série construiu até o momento. Don’t ever cross me again, Scandal. Pelo menos por algumas semanas.

Leia mais: Porque aquele plot twist de Scandal foi a pior coisa (Ou: porque larguei Scandal)

Nem toda semana é tão cheia de coisas boas assim, e essa me deixou particularmente feliz sobre o estado da televisão e sobre esse trabalho, de pensar a televisão. Convido vocês a pensarem comigo.

Compartilhar, , Google Plus, Pinterest,

Escrito por Ana Carolina Nicolau

Ana Carolina Nicolau

Encarou cinco anos de Cálculo pesado para descobrir que preferia as letras aos números. Apesar dos esforços para se concentrar nas telonas, foi capturada pela fascinante tevê do século XXI. Mantém uma relação chove-não-molha com a sétima arte no site take148.net. Atualmente estuda para encontrar a solução ótima da equação “cinema + tevê + vida social = 24h”. Tem quase certeza que esse deveria estar na lista dos 7 Problemas do Millennium.

98 posts