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A história real que inspirou a nova temporada de American Horror Story

A nova temporada de American Horror Story mais uma vez apresenta uma narrativa surpreendente de mistério com um toque de sobrenatural – e, assim como as outras temporadas da série, Roanoke também é inspirada numa assustadora história real.

Dessa vez, Ryan Murphy foi tirar sua inspiração de algo que aconteceu no longínquo século XVI, durante os primeiros esforços de colonização da América pelos ingleses: falo da colônia de Roanoke, uma pequena vila de colonização inglesa que, em 1517, simplesmente sumiu do mapa. E não é que encontraram o local destruído e cheio de corpos, como poderia se pensar de um assentamento que estava em constante batalha com as tribos indígenas nativas, mas não havia nenhum traço de que um assentamento algum dia existira ali: não haviam casa, ou restos de casas que fossem, nem corpos, nem trilhas, nem pegadas, nem nenhum sinal de que em algum momento acontecera um confronto ali. Tudo o que restou foi uma cerca de madeira – que servia como proteção de cidade – circundando um enorme vazio de terra e, dentro dela, um poste de madeira com a palavra “Croatoan”. Documentado e pesquisado por vários historiadores ao longo dos mais de 400 anos de seu desaparecimento, ninguém nunca conseguiu encontrar uma pista sequer que pudesse explicar o destino de Roanoke, tornando a história desse assentamento um dos casos mais bizarros de toda a colonização da América.

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O mistério de Roanoke começa em 1585, quando o explorador britânico Sir Walter Raleigh estabeleceu o primeiro assentamento britânico na região que hoje é conhecida como o estado da Carolina do Norte. Obrigado a retornar para a Inglaterra no ano seguinte, Raleigh enviou em 1587 um grupo de homens, mulheres e crianças para o assentamento, com a ideia de povoar aquele região e estabelecer comércio com os habitantes nativos. Para isso ele escolheu John White, um homem de sua confiança, para servir como uma espécie de governador do lugar. White se esforçou para criar laços de amizade com as vários tribos indígenas locais e fazer com que a colônia se expandisse, mas o início da guerra entre Inglaterra e Espanha poucos meses depois de chegarem no assentamento pegou os colonistas de surpresa, e eles logo viram os carregamentos de recursos prometidos pela Coroa nem serem enviados. Desesperado pelas dificuldades, White se viu obrigado a deixar a esposa, filha e neta (que havia acabado de nascer) na América, rumando de volta para a Inglaterra para suplicar pelos suprimentos que manteriam o projeto da vila vivo. A viagem que deveria ser rápida acabou deixando White três anos longe de sua família, devido a um decreto da Rainha Elizabeth que colocou todos os navios ingleses – militares ou não – para uso em combate contra os espanhóis. E, quando White finalmente conseguiu retornar, encontrou algo que ele realmente não esperava: a vila de Roanoke havia simplesmente sumido. Nenhuma pessoa, nenhuma casa, nenhum animal. Tudo o que havia sobrado era a cerca da cidade – que permanecia intacta – e, dentro dela, uma estaca de madeira encravada na terra, com a palavra “Croatoan” escrita nela.

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Até hoje, ninguém sabe exatamente o que aconteceu com a vila, mas teorias é o que não faltam. Alguns dizem que a demora no envio dos suprimentos, juntamente com a seca que assolou a região durante aquele tempo, fez com que os habitantes dela a abandonassem e se juntassem com as diversas populações nativas da região – principalmente os Powhatans e os Chowanokes, com que a população de Roanoke já possía ligações criadas pelo comércio de mercadorias. Outra teoria bem aceita é de que os Croatoans – uma das tribos da região e a única que possuía uma certa hostilidade para com o assentamento – matou todos os moradores, sumiu com seus corpos, destruiu toda a vila e deixou a placa no centro dela como um aviso. Outra teoria bem aceita é a de que os conquistadores espanhóis das regiões próximas atacaram e destruíram toda a colônia – afinal, os países estavam em guerra, e esse tipo de ataque era bem comum na época. Mas alguns fatos corroboram para que todas essas teorias sejam ao menos contestadas: se a falta de suprimentos forçou a pessoa a abandonarem a vila, porque enviou nenhuma mensagem para a Inglaterra explicando o que havia acontecido – afinal, eles estavam ali em missão oficial, tomando uma decisão que contrariava as ordens do chefe, e levando toda a família do próprio junto. Ou, se foram atacados – seja pelos espanhóis ou pelos nativos – nada explica o fato da cerca de proteção do assentamento estar intacta, sem marcas de machados, espadas, flechas ou de ter sofrido qualquer tipo de golpe. Considerando um assentamento daqueles, a cerca seria a principal forma de proteção de seus habitantes, então qualquer um tentando atacá-los certamente teria que destruí-la antes alcançar seus objetivos.

Independente do que realmente tenha acontecido com a Roanoke da vida real, de uma coisa temos certeza: em Amercan Horror Story: Roanoke a explicação para os eventos será muito mais sangrenta e assustadora do que uma seca que acabou com a comida.

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Escrito por Rafa Noia

Rafa Noia

Estudante de jornalismo da Unesp Bauru. Como cresceu sendo um gordinho nerd que sofre bullying, é viciado em qualquer coisa que possua dragões, naves ou super-heróis, e não tenta nem um pouco fugir do clichê do gordo nerd. Passa muito tempo jogando joguinhos e mais ainda assistindo séries, apesar do desejo oculto de querer usar todo esse tempo para dormir.

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