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13 vezes em que Breaking Bad foi extremamente realista

Além do ótimo cast de atores e roteiristas, Breaking Bad é sempre aclamado pela crítica por conta de seu apelo aos detalhes, sobre como os experimentos científicos utilizados são reais e sobre como o “mundo das drogas” apresentado pela série é parecido com o “mercado” de drogas real. Na verdade, o programa é tão atento ao realismo que pode quase ser considerado um vídeo educacional. Duvida? Aqui estão alguns exemplos de quando Breaking Bad se ateve aos mínimos detalhes.

Os “super laborátorios” realmente existem

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No quinto episódio da terceira temporada (Más), Gus acaba providenciando um “super laboratório” para Jesse e Walter aumentarem a produção de metanfetamina. O lugar com equipamentos de ponta e profissionais treinados parece ser muito bom para ser verdade e certamente foi algo inventado para a série – só que não. Esses superlaboratórios realmente existem na vida real e, de acordo com um artigo da Scientific America, o mostrado em Breaking Bad foi criado seguindo todas as orientações de um agente da DEA (Drug Enforcement Administration, uma divisão da Polícia Federal dos Estados Unidos especializada no combate às drogas), então eles sabiam bem o que estavam fazendo. E, apesar do mostrado na série não ser uma réplica de nenhum laboratório em específico, o modo como ele foi montado é extamaente igual aos milhares que existem ao redor do mundo. A única diferença é que, normalmente, esses laboratórios não ficam nos Estados Unidos. Isso acontece porque o governo americano presta muita atenção na importação e no comércio de qualquer coisa que possa ser usado para fabricar metanfetamina, sejam equipamentos de laboratório ou ingredientes usados para produzir a droga. Mas, mesmo assim, isso não quer dizer que esses laboratórios não existem em território americano: o próprio DEA acabou encontrando e fechando um deles em 2005, na Geórgia. O que falamos aqui é que esses laboratórios não são tão comuns como em outrous lugares como, por exemplo, o México: segundo o Daily Mail, o governo mexicano fechou 200 desses super laboratórios espalhados pelo país em 2012 e, mesmo assim, não fez nem cócegas no comércio da droga, o que nos dá uma dimensão de quão grande esse negócio é por lá.

Corpos sendo dissolvidos em ácido? Bem comum

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Quando vemos Jesse e Walt dissolvendo o corpo de seus inimigos em ácido podemos até pensar “ah, isso nem deve acontecer na vida real.” Acontece. E muito. Segundo Patrick Raden Keefe, um repórter responsável por cobrir as atividades dos cartéis de drogas americanos para a revista The New Yorker, isso é tão comum que os criminosos até possuem uma palavra específica para essa prática: guiso, que traduzindo seria algo como “cozido”. Em 2009, a CNN revelou que um desses “cozinheiros” – como são chamados as pessoas responsáveis pela prática do guiso – confessou ter se livrado de mais de 300 corpos derretendo-os em ácido. E estamos falando aqui de apenas UMA pessoa! Então, por mais que Breaking Bad tenha nos mostrado essa prática asquerosa em vários episódios, pode ter certeza que, na vida real, isso é bem mais comum.

Agora a cena da banheira…

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Falando de corpos sendo dissolvidos, vamos relembrar aquela polêmica cena do segundo episódio da série (Cat’s In The Bag…), quando Jesse dissolve um corpo na banheira da própria casa e acaba dissolvendo ela no processo. Desde então a cena vem causando muito debate sobre se isso realmente aconteceria ou não. Primeiro, sabemos que o ácido fluorídrico (o utilizado na cena) é extremamente potente e consegue derreter até mesmo vidro – e é por isso que ele é guardado em recipientes de plástico e de Walt ter pedido para Jesse utilizar uma bacia plástica para se livrar do corpo. E, lógico, Jesse acaba não ouvindo todas as intruções e utiliza a própria banheira de cerâmica, que acaba sendo também corroída. Mas, apesar disso, parece que nesse ponto a série não foi tão fidedigna assim: em um episódio de Mythbusters totalmente dedicado à Breaking Bad, essa cena foi recriada utilizando o mesmo tipo de banheira, o mesmo tipo e quantidade de produtos químicos e um porco como o corpo a ser derretido. E, apesar do porco ter mesmo se dissolvido, a banheira não pareceu sofrer nada com a ação do ácido, ficando intacta.

Pureza não é tudo

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Outro ponto que ficamos meio na dúvida se os produtores de Breaking Bad ficaram atentos aos detalhes ou se deram uma licença poética. De acordo com uma matéria do Washington Post, no mundo real não só a metanfetamina como qualquer outra droga são misturadas antes da venda. Isso quer dizer que o produto é diluído em substâncias mais baratas (como a cocaína, que normalmente é misturada com farinha ou maizena, ou a maconha, com oregano ou grama) para aumentar a quantidade de produto que pode ser vendido e, assim, os lucros. Só que, fora das grandes corporações – isso é, para os pequenos produtores caseiros – há sim uma enorme preocupação com a pureza da droga, e ter a “droaga mais pura da região” normalmente dá um certo prestígio para quem a produz. Ou seja, assim como em qualquer outro negócio, temos as grandes corporações que querem lucrar e o pequeno produtor artesanal para saciar os consumos mais hipsters da população. E, pensando por esse lado, isso talvez explique porque Walt deixou crescer a barba e comprou um chapéu.

Lavar dinheiro é algo cotidiano

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Qualquer um que possuo pilhas e pilhas de dinheiro faz com que as pessoas se perguntem de onde ela tira tanta grana. Por isso, os traficantes sempre possuem negócios “legais” para esconder de onde veio o dinheiro que possuem. Isso não é uma preocupação para pequenos traficantes, já que eles não geram somas de dinheiro suficientes para alertar o fisco, mas os grandes cartéis precisam sempre ter um lugar que justifique de onde toda aquela grana vem. Assim, essas organizações costumam sempre escolher negócios que tenham um bom fluxo de dinheiro e pessoas, como lava carros, restaurantes, bares e cassinos.

Advogados que ajudam nessa lavagem também

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Sabe o Saul Goodman, aquele advogado gente boa que ajuda Walt e Jesse a lavar o dinheiro que conseguem com a venda de drogas? Então, o mundo está cheio desse tipo de profissional. E, como sabem trabalhar bem com a lei, moldando-a em seu favor, é difícil que esses profissionais sejam pegos pela polícia a não ser que façam muita merda.

Ex-policias que ajudam traficantes? Também real

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Mike, o ex-policial qua ajuda Gus e Walt a comandar o próprio cartel de drogas, não é uma criação da ficção. É só olhar para as notícias que vemos o tempo todo policiais sendo acusados de ligação com traficantes, fornecendo não só conhecimento como também equipamentos para as diversas gangues. Ainda que Mike não tenha sido baseado em uma pessoa específica, não é nada difícil encontrar alguém parecido com ele no mundo real.

Chá de sumiço? Também

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Quando as coisas ficam muito feias, Walt e Saul acabam chamando Ed, o dono de uma loja de conserto de aspiradores de pó que os ajuda a fugirem arranjando novas identidades para os dois. E, apesar de isso parecer muito coisa de ficção, existem sim pessoas que fazem esse tipo de serviço. De acordo com o Hawaii News Now, um ex-traficante foi descoberto vivendo na ilha do Pacífico sob a alcunha de Jim Sargent, e levou uma vida tranquila durante doze anos até ser descoberto pela polícia. Ou seja, esse tipo de coisa realmente acontece.

Derreter a fechadura da porta? Bem possível

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No último episódio da primeira temporada (A No-Rough-Stuff-Type Deal) Walt precisa entrar num armazém para roubar os ingredientes que precisa para continuar com sua produção de drogas e, para isso, ele acaba derretendo a tranca da porta. E aqui o realismo é impecável: quando um óxido metálico (como o óxido de ferro que Walt usa) é misturado com um pó metálico reativo (o alumínio usado na sequência) acaba-se criando uma reação química que gera temperaturas extremamente altas – reação essa que é usada para soldar trilhos de trem uns nos outros. Então, certamente uma reação dessas conseguiria derreter a fechadura de uma porta.

Os cristais explosivos

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Os cristais de mercúrio que Walt usa como proteção – e que acaba usando para destruir o escritório de Tuco no fim da primeira temporada – são bem simples de ser feitos, e qualquer professor de química iniciante num laboratório básico conseguiria recriá-los. Só que esses cristais são extremamente instáveis e, por isso, só são feitos em tamanhos bem pequenos, e os que Walt carrega com eles para o encontro são considerados grandes já, o que faz que levá-los todos juntos num mesmo recipiente não seja uma boa ideia. Além disso, a própria eficácia deles é colocada em prova: no episódio especial dos Mythbusters sobre Breaking Bad, descobriu-se que, para fazer aquele estrago todo no escritório de Tuco, Walt precisaria de uma pedra pelo menos 5 vezes maior do que a que ele possuia –  o que tornaria o transporte dela ainda mais complicado.

O passo a passo da metanfetamina

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Apesar de se preocuparem com a autenticidade do processo, os produtores de Breaking Bad tiveram que modificar algumas coisas para não transformar o show num tutorial de como fazer drogas na garagem. Segundo Donna Nelson, professora da Universidade de Oklahoma e uma das consultoras do programa, essa preocupação em não ser um tutorial sobre como criar drogas fez com que os produtores nunca mostrassem todos os passos da criação de metanfetamina. Nelson diz que há vários modos de se fazer a droga, e o que eles fizeram foi misturar todos eles num único “catadão” que, ainda que fossem processos reais de criação da droga, caso alguém tentasse copiar em casa tudo que conseguiriam seria uma enorme decepção ao invés dos cristais azuis.

A vida dupla de Walt

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Uma das coisas mais incríveis em Breaking Bad é como Walt consegue manter a vida secreta como Heisenberg escondida da família – mesmo que o seu cunhado seja um agente da DEA e especialista em desvendar coisas do tipo. E, ainda que isso pareça um absurdo, esse tipo de coisa realmente acontece na vida real. Segundo uma história publicada na revista Vice, entre 1988 e 2000, Walter White (sim, o nome do cara era o mesmo do protagonista de Breaking Bad) se vangloriava de ser o melhor fabricante de metanfetamina do estado do Alabama. O filho de White trabalhava com o pai no setor de construção, e afirma que, até as autoridades o pegarem, ele nunca desconfiou que o pai levava uma vida dupla.

A violência da doença

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Outra coisa que nos chama atenção em Breaking Bad é como alguém tão “comum” como Walter White acaba se tornando um psicopata tão violento. E sim, isso é algo possível, e o que o torna passível a esse tipo de mudança é justamente a mesma coisa que o coloca no mundo do crime: o câncer. No começo do programa, Walter é diagnosticado com câncer e precisa passar por quimioterapia. E, de acordo com profissionais da área médica, esse tratamento é tão invasivo que pode até mesmo alterar a personalidade de uma pessoa. A Quimio mexe de tal jeito com o organismo do paciente que pode torná-lo mais triste, ansioso, nervoso e até mesmo agressivo. Então, o modo como ele passa a agir pode simplesmente ser uma reação de seu organismo ao tratamento contra o câncer. Além disso, descobrir que tem uma doença terminal também pode mudar completamente a personalidade de uma pessoa – e, nesse sentido, Breaking Bad é algo assustadoramente real.

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Escrito por Rafa Noia

Rafa Noia

Estudante de jornalismo da Unesp Bauru. Como cresceu sendo um gordinho nerd que sofre bullying, é viciado em qualquer coisa que possua dragões, naves ou super-heróis, e não tenta nem um pouco fugir do clichê do gordo nerd. Passa muito tempo jogando joguinhos e mais ainda assistindo séries, apesar do desejo oculto de querer usar todo esse tempo para dormir.

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  • Sr. Pepsi

    Excelente matéria