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12 coisas que você nunca soube sobre os livros da saga Harry Potter

Sabia que um dos livros da saga Harry Potter poderia se chamar Harry Potter e Os Comensais da Morte? Que os livros do bruxo eram tão famosos que as editoras precisavam fazer verdadeiras operações de filme de espião para pegar os manuscritos de Rowling? Essas e muitas outras coisas são contadas no livro J.K. Rowling: A Bibliography 1997-2013, do escritor Philip W. Errington. O livro ainda não foi lançado no Brasil, mas nós trazemos para vocês algumas das várias curiosidades que ele nos conta:

Sucesso certo

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Nigel Newton, um dos fundadores da Bloomsbury (editora que comprou o manuscrito de Rowling e acreditou no sucesso da saga Harry Potter) conta que, no dia em que o comitê da editora se reuniu para decidir se deveriam comprar o manuscrito e publicar Harry Potter e a Pedra Filosofal, ele votou no “sim, sem sombra de dúvidas”. Essa confiança toda veio da filha de Nigel, de apenas 8 anos e que, na noite anterior, havia lido um pedaço do manuscrito e se mostrado extremamente entusiasmada com a história. Esse era tudo o que ele precisava para saber que o livro seria um sucesso – e para garantir a Rowling um adiantamento de 1500 libras (aproximadamente R$8700).

Nomes trocados

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Os fãs mais fanáticos de Harry Potter sabem que o nome original do primeiro livro é Harry Potter and the Philosopher’s Stone (de onde saiu a tradução para o português, Harry Potter e a Pedra Filosofal) mas que, apesar de dividirem a mesma língua, o livro teve seu nome trocado durante o lançamento nos Estados Unidos, chegando à terra do Tio Sam com o título de Harry Potter and the Sorcerer’s Stone (Harry Potter e a Pedra do Mago, em tradução livre). Isso foi uma decisão Arthur Levine, editor responsável por adquirir os direitos do livro para a Scholastic, que iria lança-lo nos EUA. Segunda Arthur, a ideia era modificar o título para deixar mais claro a temática de magia do livro, que não ficava assim tão compreensível no original. Mas o título poderia ser pior: segundo o próprio editor, a sugestão que ele deu foi Harry Potter and the School of Magic (Harry Potter e a Escola de Magia, em tradução livre). Quem bom que a decisão final nesse assunto não era dele…

Cortes e mais cortes

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Como é de se esperar, ainda que Emma Matthewson – a editora que era a responsável pelos livros de Harry Potter em 1997 – tenha adorado a primeira versão do segundo livro de Rowling para a saga (Harry Potter e a Câmara Secreta)ela retornou o manuscrito para a escritora com umas algumas sugestões de mudanças – principalmente de cortes já que, de acordo com a editora, a história parecia se enrolar demais. Isso foi em agosto. Em outubro, Rowling retornou para a editora uma nova versão do manuscrito acompanhada de uma carta que dizia: “Eu fiz muito mais do que aquilo que você me sugeriu, e agora realmente estou satisfeita com o resultado final, algo que não havia acontecido no manuscrito anterior. Então todas as mudanças e reescritas que eu queria fazer já estão completas. Então, se você achar que a história ainda precisa de alguns cortes, pode me enviar que os farei – e bem rápido dessa vez.” Lógico, a editora pediu mais cortes. Desses, o único que a escritora se lamenta de ter feito foi o de uma música para Nick quase sem Cabeça, mesmo admitindo que a existência dela era “supérflua”.

Erros editoriais

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Erros editoriais também foram bem comuns durante os primeiros livros, quando Harry Potter ainda não era o fenômeno que acabou se tornando. Por exemplo, no material com informações prévias do livro enviado para veículos de mídia de todo os Estados Unidos, a editora acabou errando feio uma das cenas, dizendo que havia sido a tia Petúnia, e não a Guida, que foi transformada em balão. E mesmo a mídia mais tradicional também errou feio com o bruxinho no começo. Sem entender muito bem como explicar o enredo do primeiro livro, a New York Times descreveu Harry Potter e a Pedra Filosofal – que já estreou na lista de mais vendidos do jornal – como “um garoto escocês maltratado pelos pais vê sua sorte mudar quando se matricula numa escola de bruxaria”. Soube explicar direitinho a história né?

Proteção contra hackers

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Assim que os livros se tornaram um fenômeno, a Bloomsbury precisou tomar medidas para proteger o trabalho de Emma Matthewson – como, por exemplo, assegurar que o computador que ela trabalhava não possuía nenhum tipo de conexão com a internet. Ainda que a rede mundial estivesse também dando seus primeiros passos para se transformar no fator importante que tem hoje, o medo de hackers já era algo comum no final dos anos 90, e a única medida de proteção totalmente eficiente era mesmo evitar que o computador esteja conectado à internet.

De saco cheio

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Após finalizar todas as revisões de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Rowling mandou o manuscrito para a editora junto com um bilhete que dizia o quanto ela estava “de saco cheio” daquela história, pois havia sido a única que ela precisou reler o livro várias vezes para conseguir fazer todas as modificações necessárias. Apesar disso, o bilhete também dizia o quanto a autora havia ficado satisfeita com o resultado final, principalmente com o fato de ter tornado os dementadores mais assustadores e importantes para a história.

Os Comensais da Morte

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Antes de fecharem em Harry Potter e o Cálice de Fogo, outros títulos sugeridos por Rowling para o livro eram Harry Potter and the Death Eaters (Harry Potter e os Comensais da Morte, em tradução livre), Harry Potter and the Fire Goblet (que no Brasil provavelmente viria com o mesmo nome do lançado oficialmente, Harry Potter e o Cálice de Fogo) e Harry Potter and the Three Champions (Harry Potter e os Três Campeões, em tradução livre)

Operação de cinema

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Na época do lançamento de Harry Potter e a Ordem da Fênix, a Bloomsbury precisava recorrer a artifícios dignos de filmes de espião para evitar vazamentos dos manuscritos. Nigel Newton lembra de de como foi receber o original do quinto livro da série: “Christopher Little [o então agente literário de J.K. Rowling] ligou pra mim uma tarde e me perguntou ‘Nigel, bora tomar uma cerveja no Pelican?’ ao que eu respondi ‘Cerveja no Pelican? Claro Chris! Te encontro lá às seis.’ O Pelican era o mesmo bar no qual ele havia me passado o manuscrito do livro anterior [Harry Potter e o Cálice de Fogo]. Então, eu estava bastante tenso durante todo o trajeto da editora até o bar. E, quando eu cheguei lá, percebi que ele tinha um pacote grosso, escondido dentro de uma sacola embaixo da mesa. Ele não disse nada sobre o tal pacote, apenas olhou pra mim e perguntou se eu iria beber alguma coisa. Eu pedi uma cerveja e nós ficamos ali, batendo papo e bebendo, sem nem mencionar qualquer coisa sobre Harry Potter. Nós terminamos nossas bebidas, pagamos a conta e cada um seguiu seu caminho, só que dessa vez eu que tinha saído com a sacola. Foi um movimento clássico. E eu fiquei com medo. Eu realmente tinha medo de que, se alguém descobrisse que eu tinha ali comigo a única cópia original do próximo livro da saga Harry Potter, tentassem me agredir fisicamente apenas por uma rápida olhada. Então, tudo o que eu fiz foi enfiar o pacote no porta-malas do carro e dirigir para casa o mais rápido possível. Mas isso não queria dizer que o problema tinha terminado: tanto minha esposa quanto minhas três filhas eram grandes fãs do bruxo, então eu não podia deixá-las sabendo que o trabalho que eu estava trazendo pra casa era o livro que elas mais aguardavam na vida, ou então eu teria sérios problemas. Assim, eu escondi o manuscrito embaixo da cama e, quando ninguém estava olhando, grudei nele as 4 primeiras páginas de um outro original que havia levado para casa a fim de fazer minhas anotações, para que ninguém percebesse que o que eu estava lendo era, na verdade o novo Harry Potter. Anos depois, quando eu finalmente contei essa história para minha esposa, ela comentou que havia ficado mesmo desconfiada do fato de eu ter passado a noite em claro lendo uma cópia de East of the Mountains de David Guterson.”

Uma bíblia própria

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Para garantir consistência entre os livros e evitar dar nomes diferentes para a mesma coisa (já que os livros foram lançados durante um período de dez anos, e fatalmente não seriam sempre os mesmos funcionários responsáveis por todo o processo de publicação em todos os livros), a Bloomsbury possuía um livro – que os funcionários chamaram de A Bíblia de Harry Potter – onde anotavam informações de todos os personagens, magias, criaturas e tudo o que tenha sido citado ao menos uma vez pelos livros da saga.

Sacada de mestre

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Lembram a cena de abertura de O Enigma do Príncipe, quando o Ministro da Magia trouxa acaba descobrindo todo o rolo da volta de Voldemort de um modo meio perturbador, com o ex-ministro chegando, contando toda a história, apresentando o novo ministro e não fazendo absolutamente nada? Segundo uma série de cartas entre Rowling e a editora Emma Matthewson, a cena inicial do manuscrito original era algo bem diferente, e que essa que todos conhecemos foi resultado de muitos retrabalhos da escritora e que, segundo Matthewson, a versão final “é uma verdadeira tacada de mestre, e pela primeira vez os leitores teriam a noção da real profundidade de tudo aquilo que ela estava escrevendo”. Uma pena que, muito provavelmente, nós nunca saberemos qual era a cena inicial do primeiro manuscrito.

Muitos segredos

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Para manter a existência de Harry Potter e as Relíquias da Morte em segredo e não estragar a campanha de marketing que a Bloomsbury preparava para o último livro da saga, a editora usou do subterfúgio de dar nomes falsos para as primeiras versões do livro, que circularam pelos corredores com o título de Edinburgh Potmakers (Paneleiros de Edinburgo, em tradução livre). E esse não foi o único nome falso dado para o livro. A fim de que ninguém desconfiasse, cada nova versão da história recebia um nome falso novo, e outro que se tornou famoso entre os funcionários foi The Life and Times of Clara Rose Lovett (Vida e Obra de Clara Roso Lovett, em tradução livre), que tinha até uma sinopse falsa, sendo “um romance épico que atravessa gerações”.

Uma língua, dois mundos

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Um dos maiores pontos de discussão entre os editores da Inglaterra e dos Estados Unidos eram por conta das diferenças existentes entre o inglês britânico e o inglês americano. Arthur Levine, editor responsável pelo lançamento americano do livro, conta que, depois de ler Harry Potter e as Relíquias da Morte, mandou para Rowling 71 perguntas sobre palavras e expressões que poderiam ser modificadas na versão americana para melhor se adequar às sensações que a escritora gostaria de passar ao leitor. Como numa das cenas em que Ron fica apenas de cuecas, em que Arthur pergunta para Rowling se onde ela escrevia “trousers” (“calçolas”) ela estava mesmo querendo dizer underpants”  (“cuecas”) e, se fosse esse o caso, se ele poderia imprimir a cena usando a palavras “underpants” mesmo, para que o público pudesse ter a real dimensão doa vergonha que Ron estava passando. A resposta de Rowling para isso foi um sucinto “OK (US only)”, dando a editora o poder de alterar essa palavra para publicação, mas apenas na edição americana do livro.

Escrito por Noia

Noia

Estudante de jornalismo da Unesp Bauru. Como cresceu sendo um gordinho nerd que sofre bullying, é viciado em qualquer coisa que possua dragões, naves ou super-heróis, e não tenta nem um pouco fugir do clichê do gordo nerd. Passa muito tempo jogando joguinhos e mais ainda assistindo séries, apesar do desejo oculto de querer usar todo esse tempo para dormir.

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